Sentimentos Que Não Morrem
Ainda não acredito que fizeste isso. Que a levaste lá. Foi para a me apresentares? Porque sabias que eu estar lá e parece que fizeste de propósito. Foi para me dizeres nos silêncio das tua palavras e nos gritos do teu olhar que mesmo que tentes não me consegues encontrar nas outras ou foi para veres se o meu amor por ti ainda lá morava? Porque quando me viste ela deixou de existir, nem um olhar, nem um toque carinhoso partilhaste com ela e, enquanto cumprimentavas os teus velhos amigos, usavas como pretexto a posição deles no espaço à nossa volta para olhares para mim e observares, mais uma vez, uma pessoa que te é tão familiar mas que sentes estrangeirada. Ou porque continuas a dizer o meu primeiro nome como se fosse feito de veludo, como se fosse uma coisa frágil e sagrada para falares comigo, quando sabes que os outros utilizam o meu último. E porque, nessa noite, a tua irmã arranjou sempre uma desculpa para vir ter comigo e perguntar se estava bem bem ou se precisava de ajuda a fazer aquilo que tínhamos ido ali fazer, sem saber. Talvez ela soubesse que não estava bem. Acho que nessa noite eu simplesmente não estava lá. Ou estava. Ou estive e deixei de estar. Mas nunca te vou admitir isso.
