doeu mas foi rápido

5 lições de 2016 | parte um

bom, faz algum tempo que não apareço por aqui pra ler ou escrever algo. não aconteceram muitas coisas mas, as que aconteceram e foram importantes, farei um mini registro a seguir.

há alguns meses atrás conheci com um cara que está em sua própria jornada, assim como eu. nós nos encontramos num desses aplicativos de arrumar marido. foi bacana, intenso e completo. somando os dois encontros que tivemos, passamos 5 dias juntos. dois no interior (na cidade natal dele, há uns 30 minutos da minha), três aqui em casa. todos foram muito bons. ficamos chapados juntos, aprendemos um com o outro e passamos várias horas transando. estávamos conectados.

o que difere este de outras centenas de encontros que tive é que, dessa vez, quando as coisas começaram se diluir e a proximidade e intimidade me mostraram mais uma vez que de perto ninguém é tão incrível assim, decidi abrir o peito e dizer o que sentia. contei verdades, chorei perdido em minha própria confusão. iniciando ali, talvez agora uma dos maiores exercícios desse ano — e dos próximos: ser honesto comigo e com os outros. #transparente, #sincero e do bar.

“gato, você não é obrigado a nada. ninguém é obrigado a nada!” — thiago d.

comecei a pensar nisso quando me dei conta de que a grande maioria dos caras (e das minas) com quem fiquei ou transei, aconteceu por ter medo de ser rejeitado, de ficar sozinho, de ninguém querer ficar comigo e consequentemente (não acho que seja o termo certo, mas é o que temos hoje:) satisfazer meu ego e vaidade ou ainda por consenso universal. este último, é tipo quando você não tem motivos pra não fazer ai você vai lá e faz, saca?

o thiago não, puxei papo porque ele é meu tipo. aliás, era — desculpa, enjoo rápido das coisas. a questão é que ele repetia algo all the fucking time que no começo pareceu grosseiro, “gato, você não é obrigado a nada. ninguém é obrigado a nada!” e que no fim acabou virando um mantra pra mim.

a delícia de estar com ele é que era ao mesmo tempo confortável e desafiador. ele, como todo ariano, tinha que ser o mais politizado. eu, como todo libriano com ascendente em sagitário, lua em gêmeos e vénus em escorpião, ia improvisando.

exercitar a honesto-sincero-transparência e entender que não tenho obrigação nenhuma de fazer nada além do que sou obrigado (zoeira), de agradar ninguém, me garantiu um pouco mais de protagonismo na minha própria jornada. não preciso mais ser o bobo da corte que responde tudo com sorrisos e trata a tudo e todos com compreensão e diplomacia, não sou pago pra isso. e foi mais ou menos aí que comecei a prestar atenção nas coisas que 2016 tinha a me dizer. um pouco tarde, mas finalmente.