moça de flores

humanless

Ela não sabia se entender.
Admirava demais
Amava demais
Mas não tinha um amor.
Gostava das palavras mas não sabia usá-las.
Sentia as músicas enquanto os outros apenas dançavam ou cantavam de memória sem nem saber o que falavam.
Ela sempre gostou dos detalhes,
Das pequenezas que tornam cada coisa existente singular.
Via o que ninguém via.
Rimava os pensamentos numa canção própria.
Subdividia-se em várias de si mesma para tentar se achar,
Perdia-se ainda mais.
Escrevia um livro todos os dias com a cabeça no travesseiro.
Era sensível demais aquela moça,
Tinha alma de poeta,
Ela era primavera e não sabia contar suas flores.
Era labirinto e ainda não sabia aquele velho truque de como sair de um.
Sabia seu nome,
Mas não sabia quem era.

12/05/2014