Siri, goela abaixo.
Comecei a usar, faz uns meses, a função ‘ditado’ do Iphone pra ver se tempo curto espichava. Pois bem, o aparelho não gosta “assim” de comida, mas essa é minha vida.
Marinada é “Maria nada”, beijupirá é “beijo pirar”, sem contar as óbvias estrangeirices como ‘croissant’ que vira coação, coração, canção ou ‘com ração’, que cogitei aceitar por preguiça.
Aplicativo cínico, isso sim. Aceita “fast food”,”Big Mac”, e as “fritas” da promoção.
É justo não aceitar seriguela e topar blueberry? Siri, colonizadora eletrônica, só quer siri goela. Siri, a ditadora que me edita, tinha é de cruzar com o aplicativo do Gambero Rosso, em modo noturno, à luz de velas, e sem película de acrílico. A coisa melhoraria. Por enquanto, só posso beber pino no ar e char boné. Um dos meus pratos preferidos virou “cocô em vão”.
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Pra piorar, meu sotaque carioca me dá uns tocos, junta umas palavras, inventa outras e põe X onde não deve.
Lembrei que o acento “neutro” do País é o de Brasília. Lá fui eu. Melhorou, mas não resolveu.
Você….. tem….. que….. ser…. um…. brasiliense… paciente….que….faz….ioga…., lembrar de dizer “vírgula” o tempo todo, e também “nova linha” que, para minha recreação pessoal, foi substituído por “novelinha” e funciona perfeitamente.
Com alegria e paciência, cheguei lá. Tenho sotaque neutro, tempo certo, sou de uma afasia invejável.
Nasce uma nova língua: é o caixa eletroniquês, ou central de atendimentês (ainda não batizei, mas Siri ficou orgulhosa. Sinto que estamos “bonding”). Muito em breve, falaremos assim: com eficiência, sem emoção ou apetite.
Próxima meta: cuspir dinheiro. Glória em vida, até que a bateria acabe.