O Atari e o fosso da imaginação

Num acesso de nerdice extrema (motivada por um certo tédio de fim de carnaval) transformei meu Raspberry Pi numa máquina de retro-videogame.

Chegada a hora da visita obrigatória por grandes clássicos dos anos 80 coloquei Enduro e BUM, abriu-se um túnel do tempo na minha frente e voltei a ter 10 anos… que por coincidência é a idade da Clarinha, minha filha que ao olhar para tela perguntou inocentemente: “É uma aranha?”

Nada como gastar milhões em uma TV 4K para jogar… Atari

Se você olhar atentamente para a tela vai ver que até que aquelas coisas passando parecem uma aranha. Definitivamente parecem mais com uma aranha do que com um carro! Então como é que nós espetávamos o cartucho no velho Atari e imediatamente éramos transportados para uma infinita highway com carros velozes, nevoeiro e neve escorregadia? Somos uma geração mais abstrata do que a atual? Ou tivemos uma ajudinha?

A caixa do Enduro clássico, com imagens iguaizinhas ao jogo de verdade, SQN

Não era coincidência que as caixas dos jogos de Atari não eram visualmente nem um pouco parecidas com o que você encontrava dentro do jogo. As caixas cumpriam o papel de dar ao jogador a direção para onde sua imaginação deveria apontar, preenchendo o (gigante) fosso entre a dura realidade 8-bits e o que você gostaria que o jogo fosse. Nenhum jogo representou isso melhor do que Adventure, que na capa tinha todos os elementos do jogo: um dragão, um labirinto, chaves e armas mágicas… Enquanto isso, no jogo:

Você é esse quadrado. A seta é uma espada (ou lança?) tentando matar o terrível dragão verde

Propaganda enganosa ou ferramenta de experiência de usuário? Hoje ficou claro para mim que as caixas dos jogos do Atari tinham sim um papel fundamental para que os momentos na frente da TV de tubo fossem muito mais uooooooooooooou.

Para saber mais sobre as maravilhosas caixas de jogos de Atari e sua missão no fosso da imaginação confira um episódio do podcast Imaginary Worlds sobre “A arte do Atari”.

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