Não sou flor.
Meu rio é riso
De soslaio.

Não sou cor.
Meu florescer
É de quando saio.

Não sou dor,
Mas, quando sangro,
Jorro em desmaio.

Sou mulher.
A flor dolorida em cor,
A dor colorida em flor,
A cor florescida em dor.

Porque a mim me restam as cicatrizes
Das feridas que não ardem mais.
Meus antigos chafarizes estão vazios:
As lágrimas envolvem o meu cais.

Estou partindo... barco a zarpar,
A vida para (me) amar.

Cris Guedes - setembro de 2017
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.