O sonho I

Birmingham, UK

Sonhei contigo. Mas, como de costume, os sonhos perdem os seus pormenores quando acordo. Apesar deste facto, vou escrever sobre o que me resta na memória, ou seja, fragmentos do mesmo.

Não me lembro do início. Estávamos a caminhar em silêncio. Não sei quem é que acompanhava os passos de quem, mas encontravas-te ao meu lado. Era um momento tranquilo, e a quietude que pairava entre nós não criava, de modo algum, um ambiente estranho. Não sei se partilhas a mesma opinião do que eu, mas eu acredito que não precisamos de preencher o ar com algumas palavras, com a finalidade de quebrar o silêncio. Na verdade, até o aprecio. As pessoas deviam sentir-se confortáveis com ele.

Enfim, fiquei com a sensação de que estávamos ligados telepaticamente – tu só ouvias o meu silêncio, e eu ouvia o teu, palavras escondidas que só nós compreendíamos. Por isso, nem um nem outro sentimos a necessidade de falar.

A cada passo que dávamos, as folhas que cobriam o chão produziam aquele estalido agradável – se as folhas estavam secas, então era Outono. Porém, o sol estava morno, e aquecia, ao de leve, as partes das nossas peles que estavam descobertas.

O que nos levou a andar no meio do nada? Será que estávamos com um grupo e depois decidimos nos afastar?

Talvez sejamos parecidos. Talvez precisámos de nos afastar de uma confusão qualquer. Ou, simplesmente, desejámos sentir alguma paz por alguns momentos, pois era isso que estava a sentir quando estive contigo.

Seria algo maravilhoso se fosse possível partilhar sonhos entre nós. Ficaríamos a conhecer os mais profundos desejos, medos, preocupações e anseios que habitam o nosso subconsciente. E mais, muito mais.

No entanto, se partilhasse contigo este sonho que tive, não verias nada disso. Sentirias paz, somente paz. O estado de tranquilidade que eu sei o quanto queres.

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