Cristiane Guterres
Aug 31, 2018 · 3 min read

20 anos da essencialidade de Lauryn Hill

Eu tinha acabado de completar 17 quando Lauryn lançou o álbum que se tornaria o mais importante em minha vida. Ela não sabe, mas o fez pra mim. Ainda lembro com detalhes da minha ansiedade, mãos suadas e o coração batendo forte enquanto eu entrava e saía das lojas da Galeria do Rock em São Paulo à procura desta preciosidade. Quando comprei, demorei a colocar no rádio, queria sentir um pouco mais daquela sensação que precedia a descoberta do som que viria a embalar momentos importantes da minha vida.

No último dia 25/08, “The Miseducation of Lauryn Hill” completou 20 anos. Uma obra prima, recebeu 10 indicações ao grammy e levou cinco delas, foi a primeira vez que uma mulher recebeu tantas premiações num evento do Grammy e a primeira vez que um álbum de hiphop foi eleito o melhor do ano. Lauryn ainda ficou em primeiro lugar na lista da Billboard, e teve seu álbum eleito pela revista Roling Stone como um dos 50o melhores de todos os tempos. Nestes 20 anos foram

mais de 12 milhões de cópias vendidas e as músicas deste disco sampleadas e replicadas por artistas como Jay-z, Kanye West, Mos Def, Card B, entre outros.

Eu sou muito suspeita pra falar de Lauryn Hill. Ela é genial. Abriu um espaço muito significativo pras mulheres no hiphop. Existe um antes e um depois do lançamento de Miseducation. Um álbum que fala sobre feminismo, que conversa com outras mulheres através das emoções. Na época, grávida de seu primeiro filho e com 22 anos, ela falou de amor, de maternidade, falou dos homens desrespeitando as mulheres. Ela falou de si.

Lauryn sempre foi um ícone pra mim, a primeira vez que a vi fiquei atônita com tanta beleza na tela da TV. Ela era Rita Louise no filme Mudança de Hábito II. Foi a primeira vez que vi uma jovem negra interpretando o papel de uma jovem negra. Na TV brasileira nunca existiu, agora temos alguns pouquíssimos personagens, mas naquela época somente atores interpretando pessoas escravizadas ou empregados domésticos. Nunca uma adolescente negra como eu era, cheia de medos e com dificuldades de se auto aceitar. Nem preciso dizer que passei a seguir Lauryn em todos os seus passos. Minha referência. O cabelo em pouco tempo tinhas tranças iguais as dela e no meu rádio a voz potente dominava.

Tenho muitas histórias pra lembrar e contar sobre este álbum. Ele me lembra amigos queridos com os quais eu o dividi e até hoje é o disco que eu mais ouvi em

toda a minha vida. Eu sempre ouço, aliás, ouvi hoje. E talvez ouça amanhã.

Fiz uma playlist com as músicas que mais amo ouvir ela cantando. Tem songs de outros discos pra celebrar a artista que ela é. Se você tem uma história com as músicas da Lauryn, conta pra gente.

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