que eu nunca retroceda.

eu sou uma dessas pessoas que se perde no processo de amar outra.

nesses árduos meses (que agora já não são mais difíceis) passados depois do término de um namoro no qual eu estava física e emocionalmente muito investida, meu maior medo era amarrar o meu burro no primeiro poste que aparecesse.

essa analogia, inclusive, é interessante, porque na maioria dos relacionamentos que eu havia tido, na verdade a burra era eu.

e nem era burra porque estava sendo trouxa (apesar disso ter acontecido um número bem grande de vezes) — e sim porque um dos fatores que me levava a entrar nuns relacionamentos FURADOS era justamente ter uma companhia para (na minha cabeça, pelo menos) eu chamar quando eu quisesse, afinal, se o garoto era meu NAMORADO ele tinha que estar sempre DISPONÍVEL e eu não poderia me CONTENTAR com menos do que isso porque essa era a OBRIGAÇÃO dele e que terror eu ter que fazer alguma coisa SOZINHA.

porque olha, vou contar pra vocês, eu tinha um medo ABSURDO de ficar só.

e por ficar só, eu não tô falando em passar uma tarde em casa sozinha assistindo séries variadas das quais eu enjôo em 25 minutos.

eu tô falando em: não ter pra quem dar boa noite, nem bom dia, pra compartilhar a cama depois do almoço de domingo quando o dia parece ter entrado em marcha lenta, pra reclamar sobre quanto as coisas não saiam como eu tinha planejado, pra aguentar minhas manias de querer tudo ao mesmo tempo, pra, sei lá, compartilhar.

imagina que loucura: eu — essa pessoa que prega a independência em todas as redes sociais, se dúvidar manda telegrama dizendo pra deus e pro mundo inteiro o quanto você deve não depender da pessoa, era justamente a pessoa mais dependente da aprovação e companhia das outras (os).

mas daí o namoro acabou.

e eu achei que logo ia encontrar outra pessoa.

mas daí não encontrei.

e eu achei que ia morrer de tristeza.

mas daí não morri.

e eu achei que estava ficando tudo bem.

mas daí aconteceu um revolução em mim.

e eu pensei: viva lá revolución.

sim, porque eu passei a fazer as coisas por mim. e quando vi já não era mais uma TRAGÉDIA ir dormir sem boa noite, tirar uma soneca delícia no domingo depois do almoço com as pernas esparramadas uma em cada canto da cama de casal, parar de reclamar e começar a ser grata por ter a oportunidade de fazer certas coisas (mesmo quando elas não saiam como eu gostaria) e aceitar o fato de que eu quero tudo ao mesmo tempo.

e nesse meio tempo eu fui retomando o contato com muitos amigos. e passei bem mais tempo com a minha família. e fiz várias pequenas viagens e inúmeros pequenos passeios. vi gente, conheci gente, beijei gente, virei amiga dessa gente que eu beijei mas que não ia dar em nada só que tudo bem porque nem tudo tem que dar em alguma coisa, eu acho que eu VIREI gente.

e daí quando eu vi eu gostava disso. dessa INdependência. talvez pela primeira vez na minha vida — eu estava fazendo as coisas por mim. e AMANDO ser eu, amando ter minhas manias e amando achar tudo bonito porque eu tinha meio que me apaixonado por essa minha nova vida em que eu não tinha mais que dar boa noite pra ninguém afinal eu já estava dormindo no sofá com o celular no colo fazia 45 minutos.

que eu nunca volte atrás.

que eu nunca retroceda.

e que eu nunca mais esqueça de mim no processo de amar outro alguém.

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