Quem me vê, vê ao Pai?

Não é uma pregação, é uma reflexão de aniversário

Quem somos e o que somos é uma pergunta muito perturbadora, para uma geração que aprendeu que tem que ser feliz a todo e qualquer custo e acaba por constituir relacionamentos tão superficiais que não resistem a um like que não deveria ser dado ou um comentário impensado numa rede social…

Não pretendo cair no clichê de dizer que "A NOSSA GERAÇÃO isso ou aquilo", pois o que nos difere das gerações anteriores são apenas as ferramentas para lustramos nossos egos, pois desde o Éden, somos o que somos, dispostos a negociar a presença de Deus e sua soberania por promessas infundadas de criaturas rastejantes que nos propõem tudo o que jamais poderemos ter e jamais poderemos ser…

Diferente da antiga definição que diz que "Acerca de Deus, somente podemos afirmar o que ele não é.", sabemos exatamente aquilo que somos… Somos mortais, pecadores, egoístas e completamente corruptíveis… Sou um homem: nada do que é humano me é estranho. nos ensina Terêncio

No entanto, a 5 anos, estabelecemos que seriamos também, dentre tantos outros grupos em que estávamos enquadrados, chamados de IGREJA… algum tempo depois, IGREJA DO ARMAZÉM… Eis, vivos, e como qualquer outro organismo vivo, estamos num processo que começa no nascimento e ruma para a morte, tendo o amadurecimento e procriação e envelhecimento entre esses dois pontos extremos… Onde estamos enquanto comunidade e enquanto indivíduos desse grupo?

Leitura Bíblica

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
Se me amais, guardai os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
João 14:1–16

Tomé, é conhecido por ser o homem que só pode crer ao ver que Cristo havia voltado dos mortos como houvera prometido. Há um "Quê" de Tomé em cada um de nós na contemporaneidade, um espirito iluminista que quer provas, que quer registros que apontem as evidencias.

Por anos e anos, Tomé e sua historia foi tomada por manipuladores da fé com o intuito único de justificar uma "fé" cega sem qualquer possibilidade de questionamento. Tomé foi a justificativa de uma igreja que acredita em qualquer bobagem que o lider fale sem questionar.

Fé cega não foi o que Jesus pediu para Tomé e Felipe, muito pelo contrário, Cristo trouxe ambos para seu lado, para caminhar consigo de maneira que a comida que um comia era a que o outro comia, o vinho que bebiam, as experiências quem tinham, as risadas e lágrimas eram compartilhadas, pois Cristo não exigiu que eles abrissem mão da sua inteligência ou da sua lógica, Cristo pediu que Tomé e Felipe abrissem mão de uma tradição em nome de uma transformação de vida… Cristo só pediu que Tomé se convertesse.

A conversão destes não foi uma proposta mística onde por um passe de mágica tudo de ruim que ambos fizeram no passado seria apagado e suas consequências não precisariam ser suportadas como propõem algumas instituições religiosas de hoje em dia, pelo contrário, Cristo pediu a eles que observassem as suas atitudes e com isso decidissem quem seriam dali em diante…

Jesus mostrou quem era e esperava que ambos tivessem encontrado sua identidade nEle (em Cristo). Cristo é a expressão perfeita daquilo que Deus espera de nós enquanto humanidade restaurada, uma humanidade. Deus se fez homem para que o homem compreenda como é o coletivo santo em oposição ao indivíduo que quer ser Deus.

Cristo cobrou um posicionamento de Felipe diante de tudo que viveram:

Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

Você realmente ainda não viu Deus, Felipe? Vc ainda não sabe quem eu sou? Não percebeu que quem me vê, viu a Deus?

Em Atos 8, Felipe é visto de outra maneira

E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo.
E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia;
Atos 8:5,6

Tentando entrar na historia de Felipe e Tomé, e tendo em conta que o valor estabelecido pela historia é muito mais importante que a historia em si, o desafio de cada cristão no mundo, mas em especial hoje, para nos da igreja do armazém, é compreendermos quem se temos convivido com Cristo, aprendido e visto nele Deus, e assim como os que acompanhavam Felipe, num processo que passa de boca em boca, desde a Judeia do século I, até hoje, Curitiba, do século XXI.

Na semana passada eu questionei, durante a conversa do final do culto, baseado na pregação do Tuller, HIPOCRISIA, sobre se, não seriamos nós, também, uma nova classe de fariseus, que acabam se escondendo de seus pecados colocando uma manta de santidade e pureza, como faziam os antigos, entretanto, hoje, usamos a questão da LIBERDADE, para que possamos fazer o que quisermos… Será que o fato de não termos uma autoridade eclesiástica que nos aponte os defeitos não é, como imaginado, uma questão de independência e responsabilidade, mas uma desculpa esfarrapada para fazermos o que quisermos e termos uma boa desculpa para tal?

Antigamente, tínhamos nossos usos e costumes, os trajes e palavreados que definiam quem éramos, mas assim como qualquer cultura, mudamos, mas assim como o fariseu se escondia da santidade que Jeová pedia a ele sendo fiel às regras, os cristãos da geração passada se escondia nos ternos e saias, nos cabelos e barbas bem feitas, sem nunca ouvir musicas consideradas profanas ou mesmo sem jamais riscar a pele… E hoje, qual a nossa desculpa para não sermos exatamente aquele que Deus demonstrou, sendo o Cristo entre nós? O que usamos como desculpa para ter um EGO LUSTRADO E EM DESTAQUE? ou será que encontramos o ponto? Eis a questão… Quem somos?

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