ABSURDO: ZEITGEIST AFIRMA QUE JESUS É PLÁGIO DE UM DEUS EGÍPCIO, HÓRUS.

Assisti a um famoso documentário chamado Zeitgeist. Ele é dividido em três partes, sendo que a segunda e terceira tratam, respectivamente, das farsas sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e da influência nefasta dos banqueiros metacapitalistas da Nova Ordem Mundial. O problema é que a primeira parte está repleta de ataques contra o cristianismo, tentando reduzi-lo à condição de mero mito. Como sempre digo, uma mentira eficiente deve ser contada de maneira a imiscuir-se dentro de fatos verdadeiros e notórios. Assim a pessoa enganada deduzirá, equivocadamente, que por vários pontos do conto serem legítimos, todos os são.

A primeira parte de Zeitgeist contém uma quantidade realmente imensa de mentiras que são lançadas através da comparação do cristianismo com outras religiões, em especial a egípcia. A sobrecarga de informações é uma técnica utilizada na indução ao engano. Consiste na inserção de diversas proposições que correspondem a uma vasta gama de conhecimento difuso. Com isto, o público alvo não tem tempo para questionar todos os pontos ou mesmo se concentrar em algum deles, certo instante fica constrangido por simplesmente desconhecer a maior parte do que foi elencado e, por fim, conclui que existem convergências demais nos relatos para ser coincidência tratando-se, assim, de um assunto legítimo. O erro do raciocínio parte da ideia de que o locutor fala a verdade ou, pelo menos, não age na intenção consciente de enganar. Uma vez entendo que a sua força motora é a própria mentira, a questão das diversas coincidências passam a ser vistas como o que realmente são: uma manobra artificiosa pré-concebida.

No caso de Zeitgeist, são poucas as pessoas que se interessam em estudar religiões diversas das que professam. Assim fica fácil utilizar o expediente descrito no parágrafo anterior. Basta inventar uma quantidade absurda de mentiras básicas e grotescas construídas com o intuito flagrante de atacar pontos estratégicos da fé cristã, pegar um pouco de astrologia barata e misturar tudo com uma overdose sobre paganismo antigo. Ao término do expediente, grande parte dos espectadores acreditarão firmemente que o culto a Nosso Senhor Jesus Cristo é uma forma moderna da antiga adoração pagã ao deus-sol e que Jesus, em si, é um inquestionável plágio do deus egípcio, Hórus. Como seria inviável escrever uma crítica exaustiva sobre cada ponto da primeira parte do filme, apesar de ser plenamente possível, irei expor as principais mentiras quanto à comparação do cristianismo com a mitologia egípcia. Assim, quem tiver interesse, ao perceber a cabeluda mentira, terá total oportunidade de pesquisar os outros pontos por si mesmo.

Segundo o documentário, Hórus é o deus-sol egípcio nascido no dia 25 de dezembro; sua mãe era a virgem Isis-Meri; o seu nascimento foi acompanhando por uma estrela no oeste e, ao nascer, foi visitado por três reis; foi batizado por Anúbis aos 30 anos, tinha 12 discípulos e com eles fez milagres como curar enfermos e andar sobre as águas; era conhecido por vários nomes como: Filho Adorado de deus, Bom Pastor e Cordeiro de deus; após ser traído por Tifão, foi morto e ressuscitou ao terceiro dia. Os pontos acima, que obviamente fazem parte da história de Jesus, teriam sido plagiados pelos cristãos e também por povos adoradores de outros deuses como Attis, Krishna, Dionísio e Mithra.

I –Nasceu no dia 25 de dezembro.

Primeiramente, o documentário já começa com um erro básico sobre mitologia egípcia, pois o deus-sol atende pelo nome de Rá. Hórus é, na verdade, o deus-céu. Houve uma dinastia egípcia que, contrariando os hieróglifos das pirâmides egípcias, uniu Rá e Hórus, formando uma nova divindade chamada Re-Horakhty. Portanto o nome Hórus, per se, não pode ser empregado para o deus-sol. Feito este adendo, irei ao ponto: simplesmente não existia um dia exato para a comemoração do nascimento de Hórus, já que ele era determinado pela cheia do rio Nilo. Agora, sugerir que Hórus nasceu no dia 25 de dezembro é uma mentira patética já que o calendário egípcio era completamente diferente do nosso, a começar pela inexistência do mês de dezembro.

II — Sua mãe era a virgem Isis-Meri.

O nome da deusa é somente Isis, não existe a palavra Meri (nome colocado pelo documentário para fazer alusão a Maria). Isis podia ser tudo, menos virgem. A mitologia egípcia, assim como diversos outros tipos de paganismo, cultuava a fertilidade através do ato sexual. Osíris, pai de Hórus, fez sexo com a sua esposa Isis diversas vezes. Em uma luta contra o seu irmão Seth, Osíris foi morto e o seu corpo reduzido a diversos pedaços espalhados por todo o mundo. Isis tenta resgatar o corpo despedaçado do marido, mas não conseguindo encontrar todas as partes, faz sexo com o órgão genital decepado (em algumas versões ela reconstitui um pênis para o marido) e consegue, com a prática macabra e necrófila, engravidar de Hórus.

III — O seu nascimento foi acompanhando por uma estrela no oeste e, ao nascer, foi visitado por três reis.

Hórus nasceu em um pântano e não há nenhuma referência a estrela e três reis. Como é possível perceber, o documentário mente de forma descaradíssima.

IV — Foi batizado por Anúbis aos 30 anos, tinha 12 discípulos e com eles fez milagres como curar enfermos e andar sobre as águas.

Não existe o expediente do batismo na mitologia egípcia. Hórus nunca teve 12 discípulos (no máximo 4 seguidores). Como qualquer divindade Hórus fazia milagres, mas nunca andou sobre águas.

V — Era conhecido por vários nomes como: Filho Adorado de deus, Bom Pastor e Cordeiro de deus.

Mentira. Nomes de Hórus: Mestre dos Céus, Mestre Fúnebre, Grande deus, Chefe dos Exércitos e Vingador de Osíris.

VI — Após ser traído por Tifão, Hórus foi morto e ressuscitou ao terceiro dia.

Tifão faz parte da mitologia grega e não da egípcia. Era um gigante filho da titã Gaia com o Tártaro. É responsável pelos ventos violentos. Hórus foi morto e fim. Segundo a mitologia egípcia, existe vida após a morte, mas não há que se falar em ressurreição e muito menos no prazo de três dias. Mais uma mentira grotesca.

VII — Bônus

Tanto Hórus quanto sua mãe, Isis, eram deuses e não humanos como Jesus e Maria. O único Deus que também é verdadeiro homem trata-se da segunda pessoa da santíssima trindade.

Attis, Khrishna e Dionísio possuem histórias bem distintas e não há relação alguma com o cristianismo. Já no caso de Mithra, este por ter sido sincretizado com o Deus Sol Invicto, tem sua festa comemorada no dia 25 de dezembro. A Igreja Católica escolheu esse dia para comemorar o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo como recurso para facilitar a conversão de pagãos. Tal fato não é algo obscuro, mas uma realidade admitida pela própria Igreja. Porém, mesmo nesse ponto, o documentário Zeitgeist erra, pois não há nada no cristianismo que diga que NSJC nasceu especificamente no dia 25 de dezembro. Jesus é o verdadeiro sol da humanidade, mas definitivamente não é um deus-sol.

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Para quem tiver interesse, é possível assistir ao documentário completo no Youtube. Segue o link da parte religiosa do o documentário: https://www.youtube.com/watch?v=WA9OqNTzUSI