
Cristiano Fetter
Trip de Bike – De POA a BC – Histórias da gata (Parte 2)
Ela percorreu os 700Km que pedalamos, mas foi engraçado voltar, e ser questionado por várias pessoas: “e a gata?!” Então, conheça as histórias da Gata:
6:30 da Manhã toca o despertador, chegou o grande dia, tudo arrumado. A trip de bike iria começar. Tomo um café e vou até o encontro do Tarso, meu amigo de longa data e, da Samanta, uma argentina que ainda não conhecia.
Chego no nosso ponto de encontro, eles vão saindo com as bikes. meu pensamento é: “Não, tão de sacanagem!” espero mais um pouco e a “ficha caí”.
Não seríamos 3 viajantes de bike, desbravando as estradas e belezas do litoral até SC. Seríamos 3 viajantes…E UM GATO. Gata, para ser mais específico.
Para os mais supersticiosos, um gato preto. “Será que essa viagem vai dar certo?!”
Olhei meio estranho para o gato, mas não falei nada. Partimos e, seja o que Deus quiser.
“Ianca” é o nome dela. Então, “habemus mascote”.
Ela ia em um cesto na frente da bicicleta da Samanta. Era um cesto adaptado com algumas borrachas, fazendo as vezes de um cinto de segurança, e a coleira bem presa dava a segurança quando havia alguma trepidação. Uma gata pacata, muito mansa e sempre ressabiada. Reclamava muito pouco, não ficava tentando sair do cesto (um medo que eu tinha no inicio). Enfim, a primeira impressão não foi ruim.
Gosto muito de animais, mas gato é um bicho estranho. Completamente independente e pouco inteligente (Pelo menos os poucos que convivi eram assim).
Observem o cachorro no canto esquerdo da foto
E, as histórias da gata já começam na primeira noite.
Acampamos em um CTG, ao lado da doceria Maquiné. Lá tinham muitos cachorros, e a Samanta deixava eles chegarem muito perto da gata. Até onde eu sei, Cachorro e gato, não são os melhores amigos. Para Samanta, tudo era lindo. Era eu que afastava os cachorros do nosso acampamento. A gata, ficava, geralmente, escondida entre umas madeiras que tinham ao lado parecendo se proteger de possíveis predadores. Ela sobreviveu. No outro dia, seguimos.
Falando em seguir…Existiam algumas leis universais que regiam a viagem, uma delas é que após 5 ou 10 minutos em que tudo estava pronto para partir, era hora da Ianca fazer xixi ou cocô no cesto. Obviamente, parávamos para limpar.
Chegamos em Capão Novo, acabamos ficando na casa do casal Osvaldo e Dalva (essas histórias conto em outra oportunidade. O foco é a gata). Tudo certo, dormimos, comemos bem, estávamos ajeitando nossos equipamentos. Mas, espera ai, onde está a Ianca? Procuramos por toda parte, e nada. Seguimos arrumando tudo, com a esperança de que ela aparecesse neste meio tempo. Só esperança. Vasculhamos a vizinhança, a quadra, subimos no telhado, pulamos muros. Nada. Dizem que o gato sai, mas volta em algum momento para sua casa. Momento de tensão e muito choro por parte da Samanta. O dia parecia perdido, tínhamos que ficar, até por que, a Dalva tinha pavor de gato. Ou seja, mesmo que ela voltasse, iria ser um incômodo para o casal que tanto nos ajudou. O que fazer?
Conversei com Tarso, e resolvemos fazer do limão uma limonada. Retiramos nossos alforges e fomos conhecer a lagoa dos Quadros, enquanto a Samanta esperava a Ianca voltar. Acabou sendo um belo passeio. Que lugar lindo para se conhecer. Voltamos para casa e, a grata surpresa, ela voltou!
Na verdade, ela nem foi. Pasmem. Ela ficou escondida entre algumas caixas da garagem e não respondeu a nenhum dos chamados de sua dona. (Lembrem disso para o decorrer do texto). Mas, no fim das contas, tudo resolvido. Partimos.
Outra lei universal na viagem: dia sim, dia não, a Ianca iria aprontar.
Neste novo capítulo, estou dormindo em minha barraca. Escutando o mar e a da grama crescendo…Mas, começam muitos latidos, algo está errado. Ouço miados, gritos…Alguém está atacando o Tarso e Samanta? Levanto, vejo a Samanta segurando a Ianca, Tarso mais afastado, com vários cachorros na volta, conversando com um senhor de mais idade.
Resumo da ópera (aliás, mais uma das histórias da gata), a Ianca sempre dormia na parte de fora da barraca, presa a uma coleira. Este senhor estava caminhando com seus 7 cachorros (S-E-T-E), que rapidamente farejaram a potencial refeição. Não sabemos ao certo, mas houve um ataque, nada grave, mas algumas marcas demonstravam que chegaram muito perto de comer um espetinho de Ianca. A gata se transformou, ficou mais recolhida e medrosa que antes, seu caminhar era manco e amedrontado. A busca, agora, era achar um veterinário no caminho (a minha cara deveria esta ótima).
Mas estávamos em praias muito pequenas, no meio do inverno. Eram bem difícil achar. Andamos vários quilômetros até conseguir encontrar em uma loja agropecuária uma veterinária de bom coração. Tudo certo, a não ser o susto.
Susto passado, tudo tranquilo. Samanta relaxada papo fluindo…Então pergunto: “tu chamas a Ianca o tempo todo, mas nunca vi ela ir na tua direção…alguma vez ela já atendeu o teu chamado?” Por que perguntei….“Não” ela responde (lembram de quando ela sumiu?!). Rimos muito.
Pensam que acabou? As histórias da Gata são numerosas.
Lembrem- se da lei universal: dia sim, dia não.
Após um trecho extremamente cansativo de dunas, passamos a ponte de Laguna, paramos para pegar água e lavar as bikes. Tudo na santa paz, até que o Tarso vai limpar a bike com a Ianca no cesto e, advinha, ela pula, e foge. Entra em um buraco de estacionamento e fica. Fiquei maluco. E, la foi a Samanta chamar a Ianca…. ela veio? Não preciso nem responder. Essa é outra lei universal. A nossa sorte é, que casualmente, uma das donas do estacionamento tinha vindo almoçar em casa. Então conseguimos entrar e tirar ela debaixo de um carro.
Mais alguns dias e chegamos a Balneário Camboriú e a as coisas se ajeitaram. Bom, na verdade, ela continuou escondida dentro de casa. A Samanta chamando, e nada acontecendo.
Hehehehehehe.
Ainda tem mais histórias para contar. E, essas, são as historias da gata.
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Cristiano Fetter: Ultramaratonista, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano - UFRGS e Sócio Ultra Funcional Place.