O famoso minha-cabecinha-não-tá-boa, desculpas e desabafos

Queria escrever sobre a depressão, mas sabe-se lá o nome médico mais correto pra agora. Sem um diagnóstico, escrevo com propriedade limitada, sobre alguma coisa entre a tristeza e a depressão, também chamada, carinhosamente e otimistamente, de: minha-cabecinha-não-tá-boa.

Queria escrever de tudo no passado, como costumo nas poesias e nas histórias, mas me forço a contar do que é hoje e ontem e talvez amanhã. É difícil.

De cara, nunca é claro. Tristeza faz parte, problemas também. Pode ser um inferno astral, podem ser coincidentes desventuras em série. Ou um desregulado nos filtros e nos rumos dos seus pensamentos. O que é?

Sua porção de mundo fica ainda mais pesada nos ombros. Parece tudo mais custoso, mais desgastante. Pera, antes eu aguentava até mais, o que aconteceu?

Suas dúvidas se institucionalizam, como síndromes surgindo a torto e a direito e agora você se acha mesmo um impostor, incapaz, sujeito a ser desmascarado a qualquer instante. Não, nada que você conquistou foi mérito. Cê vai se distanciando de você mesmo, e não é raro sentir-se quase como outra pessoa.

Tudo corre um risco gigante de se desequilibrar. Sua energia diminui num nível que te assusta, e possivelmente você vai gastar quase toda ela em pequenas partes da sua vida. Preguicinhas de manhã, procrastinações ao longo do dia e cansaço extremo à noite. As outras partes, lamento: minha-cabecinha-não-tá-boa.

O humor perde o chão; ri e ferve num susto. Perdão. Eis o risco dos males do século. A produtividade vai pro ralo no ritmo da sua aflição. E a frustração segue retroalimentada pela reflexos do nosso caos no mundo.

Almoço em família, piada dos tios, rolê dos amigos, todo esforço de socialização passa por uma sabatina antes de provar que vale a energia. E é possível que, nessa luta toda, você tenha perdido 2 horas pensando e não adiante mais sair de casa.

Aproveito e peço desculpas. Quase que tanto a mim quanto a vocês. A distância que eu cavei, os mensagens que eu preferi não escrever, até o feliz aniversário que demorei semanas pra te enviar. Num me faz bem, claro, mas ao longo do tempo foi parecendo mais difícil do que devia ser.

Os pequenos prazeres, os doces e salgadinhos, estes são outros, engrossam o caldo dos obstáculos, te aliviam irresponsavelmente e minam toda a estima. O espelho lamenta: falhou de novo, meu caro. E haja moletom e frio e casacos-cascos que protejam do mundo.

Eu era de ver beleza em dar bom dia às pessoas aleatórias na rua. Hoje é um custo qualquer golpe de simpatia. As florzinhas quase imploram por atenção. Sou grato por BH ser tão linda.

Os sorrisos inteiros, por fim, hão de voltar, sei que sim. Com calma e fé, no tempo que for. E brigado se cê leu tudo, o alívio vale muito. <3

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