Sobre a magia de escrever roteiros
Desenvolver uma história é uma experiência enriquecedora, mas que também exige muita dedicação, pesquisa e sensibilidade

Há pouco mais de 72 horas, encerrei o primeiro tratamento do roteiro de um projeto para longa-metragem. As histórias de ficção, autorais ou sob encomenda, tornaram-se rotina cotidiana nos últimos 3 anos. Um sonho antigo que aos poucos vai se tornando realidade, com toda humildade de quem busca aprendizado, troca de experiências e a oportunidade de compartilhar narrativas marcantes com as mais diferentes audiências em todos os meios possíveis.
Decidi hoje falar sobre o prazer de escrever um roteiro. Toda vez que desenvolvo argumentos, em sua quase totalidade voltados aos públicos infantojuvenil e jovem, entro em um processo de imersão que me leva a revisitar diferentes experiências, realizar pesquisas, buscar repertórios variados e muitas observações do cotidiano. Paralelamente a tudo isso, muita leitura sempre e algumas boas horas assistindo aos mais diferentes conteúdos audiovisuais.
É uma etapa rica, extremamente criativa e gratificante. É o momento de buscar o frescor necessário para dar início a um bom roteiro. Com o universo criado, chega o momento de dar vida aos personagens, a tramas variadas e suas conexões.
Não é um exercício fácil, pois exige entrega, sensibilidade, muita intuição e disposição. Confesso que as noites de sono e descanso ficam bem curtas, mas o desejo de realizar compensa tudo isso. Cá entre nós, um filme, uma novela ou uma série não seriam nada sem um bom texto…
No meu caso, é até difícil explicar como é passar a conviver com essas pessoas, seus sentimentos, desafios, transformações e obstáculos. Costumo buscar referências próximas para cada um dos meus personagens e, aos poucos, eles passam a integrar a minha rotina.
É muito particular esse momento de interação. Eu crio vínculos muito fortes com meus personagens. Talvez eu viva isso por ter o pleno domínio das características totais de cada um deles. Eu desenho cada detalhe das suas personalidades. Fora isso, ainda “banco Deus”, pois tenho o controle sobre os seus destinos.
Realmente é muito bacana atravessar os bons e maus momentos ao lado deles, ajudá-los nessas caminhadas de superação, de crescimento e realização. É inevitável fazer as pontes com a vida real. Você acaba revendo muitas coisas no seu próprio comportamento e, quando menos espera, acaba trazendo para sua própria experiência uma situação do campo da ficção. Uma terapia que vale muito a pena e que hoje me move e inspira.
Até mais, tchauuuuu! #tamojunto
