Precisamos falar sobre Brainstorming
Post publicado originalmente em Empório Adamantis
“Vamos fazer um Brain?”.
É bem provável que você já tenha recebido convites como esse quando precisou gerar novas ideias ou se deparou com um problema a resolver, certo?
Hoje, a gente gostaria de falar um pouquinho sobre Brainstorming sem o clichê de que é uma tempestade de ideias, muito menos com o estigma de que só a área criativa pode utilizar essa técnica.
Pois bem, fazer um Brain é um dos mais variados jeitos de se ter uma quantidade significativa de ideias e fazer com que a equipe descubra ou reforce a sinergia de trabalhar junto. É um método que influenciou muitos outros e só se aprende fazendo.
Mas como assim “se aprende fazendo? Não é só sentar, conversar e ter ideias?”.
Não. Definitivamente, não.
Brainstorming requer disciplina, tem regras e métodos.
Ninguém tem ideias do nada.
Primeiro passo: o problema
Ideia alguma nasce sem um problema a resolver. Às vezes o problema é óbvio, às vezes ele é muito aberto ou nem sabemos direito qual é.
Um brain só começa bem quando temos clareza do problema a ser resolvido a ponto de conseguirmos criar uma Pergunta Problema.
Dificilmente um brainstorming vai render se o problema for amplo ou afirmativo como: precisamos vender mais água.
Transformar o aberto em uma pergunta mais objetiva é o grande pulo para começar.
Será que não teríamos mais ideias se a pergunta inicial do brain fosse: “Como podemos contribuir para que as crianças tomem mais água?” Ou “Como nossa equipe comercial pode potencializar a venda de água no Rio Grande do Sul?”?
Um atalho: tente criar uma pergunta mais fechada iniciando com “Como nós podemos”. Depois que você praticar, vai ver que tem outras variações.
Outra dica: criar as perguntas é a parte pré-brain que deve ser feita com antecedência por quem vai mediar todo o processo.
Sabendo quais são as perguntas e os problemas a serem resolvidos, é hora de chamar a galera para a troca de ideias e já no início explicar quais são as regras do jogo.
Segundo passo: regras do Brainstorming
Reserve um espaço confortável e convide no máximo oito pessoas para participar da sessão. Fica bom mesmo com seis. Se sua equipe for maior, divida em dois ou mais grupos e faça o Brainstorming em momentos diferentes. Muita gente vira bagunça.
Disponibilize folhas, canetas coloridas, post-its e um espaço na parede onde todos consigam visualizar.
Reserve 30 minutos, no máximo 45 para o brain. Mais do que isso é perda de tempo.
Um Brainstorm não funciona sem um mediador ou facilitador para provocar e manter a energia em alta. Também é bom eleger alguém para anotar as ideias. Assim, o grupo se mantém focado no processo.
Como tudo na vida, faça acordos. Explique as regras (sugeridas pela Ideo) para o grupo e durante o processo, cabe ao facilitador relembrá-las:
1. Uma conversa por vez;
2. Quantidade importa. Crie o máximo de ideias possíveis;
3. Construa sobre a ideia dos outros;
4. Encoraje as ideias loucas;
5. Seja visual;
6. Mantenha o foco. Fique no assunto proposto;
7. Não faça críticas, nem julgamentos;
8. Divirta-se.
Terceiro passo: quebrar o gelo
A pessoa que “tocar o brain” sempre tem que manter a energia alta, explicar as regras e, para evitar a timidez dos participantes que resulta em silêncio, sugerir que o primeiro Brainstorm seja individual e silencioso.
Por isso, faça a Pergunta Problema e dê entre três e cinco minutos para que os integrantes do grupo a respondam sozinhos, sem julgamentos e sem conversas. Depois, todos compartilham coletivamente.
Quarto passo: ação
Após todos estarem mais confortáveis, relembre as regras e coloque energia em suas Perguntas Problema. Durante a sessão, você pode definir se quer seguir uma ordem conforme a posição das pessoas ou aleatoriamente. Reforce muito para que as pessoas construam em cima das sugestões das outras, estimulando o uso de gatilhos como “E, se…” e “Sim, e”.
Ainda no problema da água e das crianças:
“As garrafas poderiam ser coloridas”
“E, se além de coloridas tivessem ilustrações?”
“Sim, e essas ilustrações poderiam ser do verão”
“E, se as garrafas tivessem tampas em formas de animais?”
“E, se esses animais fossem mashups, tipo Galinhante = galinha + elefante?”
“Sim, e podemos fazer ursinhos desses mashups”
Sacou? Não é difícil.
Quinto passo: trabalhar as ideias que vieram
Você pode ainda pegar as ideias que achou mais interessante e fazer mais Brainstormings em cima delas. O pessoal da Shoot The Shit compartilhou sua metodologia esses dias e a gente separou algumas perguntas que eles usam para levar as ideias para caminhos diferentes:
Como essa ideia pode ficar mais afudê?
Qual a notícia do dia seguinte?
O que os haters vão falar?
Como essa ideia pode ser mais transparente?
Como essa ideia pode ser mais aberta?
Como essa ideia pode ser mais sensível?
Como essa ideia pode ser mais colaborativa?
Quem já faz algo sobre isso?
O que já foi feito antes?
Qual o conceito da ideia?
Onde está o impacto positivo?
Qual o call-to-action?
Que plataforma podemos usar para impulsionar essa ideia?
Como fazer isso com menos?
Como usar um parceiro para fazer isso?
Como fazer isso para crianças?
Como fazer isso para idosos?
Como fazer isso de forma engraçada?
Como vai ser registrado?
Quem vai fazer isso?
Que comportamento a gente quer estimular?
Como essa ideia fica mais aleatória?
Sexto passo: pegadinhas do Brainstorm
Como falamos antes, brain é método e precisa ser levado a sério. Pode ser até que você tenha ideias conversando informalmente, mas esse não é o espírito do Brainstorming.
A frase “estou sendo o advogado do Diabo” é bem recorrente, mas de forma alguma deve ser usada enquanto está se fazendo Brainstorming.
Entenda: não é o momento de pensar em viabilidade da ideia, pensar com a cabeça do cliente ou querer ser racional. É o momento de fazer com que uma quantidade significativa de ideias venha ao mundo.
Pode usar post-it? Sempre quis fazer essas coisas com post-its.
Pode usar post-its, mas lembre-se que as soluções não virão deles. Essas belezuras são apenas recursos para facilitar a visualização e a manipulação das informações.

Mais importante do que tudo isso é utilizar o brain como ferramenta de integração da equipe, onde todo mundo se sente dono da ideia.
Uma dica: dedique um tempinho para brain com sua equipe tentando resolver problemas do cotidiano. Assim, todo mundo começa a praticar e, com o tempo, todos podem facilitar o processo.
Feito?
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Beijos e abraços

