De.bo.ís.mo

Deboísmo: adj. “De” + “boísmo”, união entre “boas” e o sufixo “ismo”. Etimologicamente, não existe uma descrição ou origem que remonte ao estado primitivo da palavra. Ela é nova. É contemporânea. É, acima de tudo, uma filosofia de vida, um conceito pelo qual muitos tentam estabelecer, mesmo diante de dificuldades e injustiças, o equilíbrio racional sobre as ações externas.
Para os deboístas, existe momento certo para se calar e manter a retaguarda. Não significa, necessariamente, ser conivente com injustiças, pregar a absoluta submissão e calar a voz diante de escândalos. Ora, seria covardia deixar de agir em determinados momentos em que nossa integridade ou ideais estejam em questão. 
“Deboas” também não está atrelado ao estado inerte da manifestação humana, em aceitar tudo passivamente, mas, sim, em reconhecer que, com determinadas pessoas ou em casos específicos, discutir e ficar irritado é pura perda de tempo e de energia. Alguém, no alto da razão, disse, certa vez, que “onde a ignorância fala a inteligência não dá palpites” — lema encarado pelos adeptos ao deboísmo.
O grande problema para um deboísta brasileiro é a cultura a qual está atrelado. Em uma sociedade em que, naturalmente, algumas pessoas se sentem estimuladas a confrontar o outro ou satisfeitas em serem polêmicas sem razão (inclui-se aí alguns políticos e artistas), fica difícil não perder as estribeiras.
A prática, para os estressados, pode resultar em um exercício de reforço à paciência, de ver até onde é possível manter a razão, de exercitar a necessidade em manifestar a palavra e de analisar em que momento ela será avaliada construtivamente. De nada adianta discutir com alguém de visão completamente oposta e inflexível. Melhor conversar com as paredes.
Nesta sociedade permeada por tanto modismo — principalmente nas maneiras de falar –, por que não aderir a um movimento no qual o beneficiado maior será você próprio. Melhor ficar “deboas” e esperar o momento e o jeito certo para se manifestar.