TV Sexta-feira à noite…

Gustavo se pegou assistindo tevê em uma sexta de noite. Uma sexta feira qualquer, a poltrona de seu apartamento. Gustavo tinha seus vinte e poucos anos. Não é algo comum para ele estar em casa nas sextas feiras à noite, muito menos vendo tevê. Não é comum para a maioria dos caras desta idade.

Gustavo estava ali meio que sem querer. Ficou esperando o convite da gurizada para fazer alguma coisa, mas, quando o convite veio, ele já estava distraído com um programa. Decidiu assistir até o final.

Era um programa que quase nunca passava. Na tela ele viu, entretido, uma menina chamada Jane. Ela era uma mulher linda, talvez não fosse a mais bonita do programa, mas chamou a sua atenção. Cabelos muito negros, uma pinta no rosto, um olhar meio perdido com olhos castanhos. Era delicada, tinha unhas feitas com capricho. Corpo bonito, magra e não muito alta. Não sorria muito, mas tinha um sorriso perfeitamente desenhado.

Apesar de toda a sua beleza, Jane não havia tomado a atenção de Gustavo pela aparência. Mas por um gesto, um comportamento. Em algum momento do programa ela chamou o seu amado de meu bem. Com uma expressão triste e cheia de amor. Aquela cena de poucos segundos prendeu Gustavo e sua atenção no sofá. Ele ficou ali até perder a noção dos minutos vendo cenas e cenas que se seguiam de Jane Doe. Ela esbanjava feminilidade e ternura enquanto ele, sem perceber, estava hipnotizado. Imóvel na poltrona.

Depois de vários minutos, ele foi despertado pela buzina do carro dos amigos, que, agora, estava estacionado em frente à casa dele. Eles cansaram de tentar ligar para o telefone silencioso e resolveram busca-lo em casa. Ao se dar conta, Gustavo saltou do sofá, se trocou e, em menos de dez minutos, já estava saindo de casa para sair com os amigos.

Ao chegar na porta, a lembrança de deixar a televisão ligada o fez voltar para a sala. Mas ali chegando Gustavo percebeu que a TV estava desligada da tomada há mais de um mês. Gustavo saiu com seus amigos, se distraiu, se divertiu e acabou não vendo mais aquele programa na TV. Afinal, o programa quase nunca passava...