Um casal apaixonado…

…que se odeia.


Carol estava no segundo ano do ensino médio quando conheceu o Fernando. Ele, por sua vez, estava no terceiro ano, mas em outro colégio. O colégio dele particular, a escola dela pública. Se viram, pela primeira vez, em uma daquelas reuniões esportivas que as escolas organizam periodicamente entre si. Aconteceu quando Fernando cobrava um escanteio na semifinal do futebol de salão, Carol era da torcida adversária. Com os ânimos inflamados pela torcida e pelo fato de estar em grupo, ela gritou exercitando a rima:

Hey, sete, viadinho! A tua mãe deu o c# pro meu vizinho!

Fernando, com a sete às costas, se virou e a observou por alguns segundos. Não disse nada. Carol ficou vermelha como a maçã da Branca de Neve. Ele apenas sorriu e continuou concentrado na partida.

O primeiro diálogo que tiveram aconteceu no mesmo dia, mas mais tarde. Ao tentarem comprar um pastel no bar do ginásio, vários alunos se empurravam e se acotovelavam. Quis o destino que, para chegar ao balcão, Carol empurrasse sem querer o Fernando, que já esperava seu sanduíche. Ao se virar para ver quem o agredia ele ficou surpreso ao ver a torcedora que tentava provocar-lo durante o jogo:

-Então, apenas espalhar a intimidade da minha mãe pela cidade não é suficiente? Agora tu quer me bater também? — disse ele com um ar bem humorado.

-Desculpa, eu estava… — mas foi interrompida pela atendente do bar, que trazia o sanduíche para Fernando.

Ele pegou seu lanche e já estava saindo quando disse:

-Escuta, eu vou comer ali naquela mesa, se tu concordar em não me agredir mais, pode vir ali me fazer companhia. Talvez tu até possa me dizer quem é o teu vizinho que fez aquilo com a Dona Judite.

-Quem? — respondeu Carol.

-A minha mãe.

Carol, envergonhada, foi comer seu pastel junto com ele. Mais para pedir desculpas, que por qualquer outra razão. Tudo começou ali. Na praça de alimentação do ginásio de esportes, na olimpíada interscolar.