Sinto que ainda não acabou.

Na sua profunda quietes,

Sinto que há assuntos inacabados,

Sobre momentos que não morrem tão facilmente,

Sobre sentimentos que não se perdem ao soprar do vento.

Enquanto você vive em silêncio,

O mundo segue conspirando contra nosso tempo,

E te afasta de mim,

Me cala pra você.

~

Sinto que ainda não acabou,

E toda vez que penso nisso,

Algo acorda um pouco mais esperançoso em mim.

Mas quem vai mostrar o contrário?

Quem vai dizer que errei?

~

Eu sei que já não há mais salvação.

O eminente sofrimento das perguntas inacabadas te destrói,

Me decompõe também.

Vou tentar manter escondido essa decepção,

E quando você estiver próxima da morte,

Te revivo nos sonhos perdidos e você finalmente viverá eternamente aqui.

~

Sinto que ainda não acabou,

E toda vez que choro com isso,

Algo triste toca meu ser arrependido.

Mas quem vai falar a verdade?

Quem vai voltar atrás e arriscar tudo?

~

Por enquanto as juras estão todas na imaginação,

E em algum lugar existe um terreno fértil e bom pra viver,

Mas ele mantem-se intocado até a rosa branca florescer numa primavera.

Separados ou juntos,

Somos corpos de outrora, sem explicações e sem motivos,

Somos frutos da sorte, e o fim do acaso.

Sinto que ainda não é o fim, mas nunca é tarde demais pra esquecer.

~

Sinto que ainda não acabou,

E toda vez que eu beijar sua boca,

Eu vou sentir a agonia de viver num mundo distante demais de você,

Mas quem vai dizer que um dia você quase chegou lá?

Quem vai dizer que eu não te amei?

Cristian B. Precoma