“Você pensa que eu sou Patrícia Pillar pra bater?”

O que realmente deveria ser discutido no caso Ciro Gomes x MamãeFalei

Não há exagero quando se diz que estamos lidando com fanáticos. Instigar o ódio é irresponsável. E, aparentemente, é a principal estratégia de certos veículos de mídia hoje.

Sobre a validez ou moralidade do “pescotapa” que supostamente o candidato Ciro Gomes acertou em Arthur do Val, ativista do MBL, me abstenho. Acho que podemos concordar que são dois homens adultos que não precisam de tanta mobilização em suas defesas.

O que me assusta são os comentários imediatamente feitos por Arthur após o tapa. E o fato de que a mídia não está discutindo isso.

“Você pensa que eu sou a Patrícia Pillar pra você bater?”

Patrícia Pillar foi agredida por Círio Gomes? Por que a parceira do homem deve ser ligada à uma situação de violência? Era pra ser uma piada?

Chequei, e a não ser que Círio e Patrícia tenham feito um excelente trabalho para apagar qualquer mídia negativa, não existe histórico de violência pela parte do Círio. Aliás, aqui tem uma entrevista da Patrícia que não deixa dúvidas.

Confesso que descartar a hipótese de violência foi o mais importante pra mim. Se esse comentário não tem fundamento, então é puro mal gosto. Um mal gosto perigoso.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. São mais de 12 mulheres assassinadas por dia pelos seus namorados ou maridos. E estima-se que mais de 12 mil são agredidas diariamente.

Uma “piada” dessas em um canal de comunicação com mais de 1 milhão de seguidores é repudiável. Que seus seguidores não tenham olhos para isso é pior ainda.

Em menos de 2 segundos de uma fala nojenta, ele traz outra:

“Tá achando que você tá no Nordeste?”

Opa, em que momento está legitimado ofender um povo? Arthur, o que os nordestinos fizeram pra você? Qual a justificativa para ser racista? Era pra ser outra piada? Associar Coronelismo ao Nordeste em 2018 é o melhor que consegue sair da sua boca?

Que fique registrado, essa imagem ficou exposta na Avenida Paulista durante algumas horas dessa segunda feira (9/04)

São tempos perigosos. Não se trata mais de “colocar fogo no Brasil”. Onde chegamos hoje, esses grupos extremistas já estão “colocando gasolina e explosivos” no incêndio.

Se há uma indignação com uma possível agressão à esse homem, que haja proporcionalmente uma indignação com a conduta do próprio.

Sugerir violência à mulher e incitar ódio aos Nordestinos?

essas lutas já estão amadurecidas demais para tolerar esse tipo de agressão.

Arthur do Val, até então eu não te conhecia e não tinha nenhum motivo pra assistir os seus vídeos. Depois desse ocorrido, fui no canal e busco as motivações para esse seu ativismo. Qual o fim?

Chamar atenção para essas duas frases perigosas que estão sendo ignoradas por muitos abre uma outra conversa ainda mais séria: em qual momento a difusão do discurso de ódio ou de violência entre organizações políticas tornou-se estratégico? Por quê vende? e pra quem?

Maquiavel já sugeria que se abster de insultos verbais ou físicos era uma importante estratégia política. E pelo que se pode acompanhar de Movimentos Livres e certos candidatos, isso que está sendo feito não é política.

Isso é outra coisa.