O QUE TENHO VIVIDO POR NÃO TER TALENTOS
Sempre me cobrei ter algum talento. Sentia fome de ter algo que eu fosse realmente boa. Qualquer coisa! Admirava as pessoas que eram experts em algo ou que tivessem hobbies mega interessantes, como: marcenaria, pintura, canto, desenho, ou esportes: kayak, tênis, corrida, bike etc etc…
Não que eu não faça yoga e natação, mas vocês sabem né, “Os incríveis”, os garotinhos-instagram que sempre tem uma fotos ( selfies tiradas com pau de selfie ) num lugar maravilhoso fazendo Stand Up Paddle no final de semana, enquanto você ainda está abrindo os olhos… Ou as intelectuais-descoladas que postam fotos em coletivos de rooftop no sabadão a tarde . Pois é, eu nunca tive esses mega talentos, ou força de vontade, ou vocação, ou sei lá como chamar essa coisa toda aí.
Não vou entrar na questão de talento em relação a profissão porque isso daria um textão e uma leve melancolia que eu não tô a fim de trazer nessa sexta-feira 13 nublada e linda — diga-se de passagem.
Sabe? Aquelas pessoa que tem um mega salário, fazendo coisas maaaaravilhosas, que ninguém sabe direito o que quer dizer, recheada de palavras: input, start-up, anjo, mindset, hype, geração Y BLABLABLA.
Ou os jovens, gostosos, ricos e lindos que tem empresas de sucesso e uma vida profissional que eles amam. Meio que fazem parte da geração garotinho-instagram. Deixemos a parte do talento profissional de lado porque já deu para ter uma imagem , certo?
Pois bem, após anos de experiência, terapia, viagens, trabalhos, amigos, relacionamentos, enfim, tudo o que quase todo mundo tem, consegui deixar a frustração e a obrigação do TALENTO de lado e passei a viver a vida. Do meu jeito, sem talentos mesmo …
Comecei a assumir minhas vontades e a viver minhas escolhas e para além disso, comecei a tomar decisões e viver experiências sem a obrigação de ser a número um, a incrível, a talentosa … apenas fazer as coisas porque eu queria, no meu ritmo e dando o sentido que eu queria para cada uma delas.
Primeiro eu encontrei a meditação. Depois disso, decidi ser voluntária e iniciar um movimento de meditação que reuniu centenas de pessoas durante um ano e meio. Eu não sou instrutora de meditação, nem yogi, não tenho um mega talento, nem vocação. Mas justamente por não ter talento, eu pude viver essa experiência tão maravilhosa.
Depois, eu decidi nadar. Não tenho um corpo lindo, nem sei se nado direito para bem dizer a verdade. Não serei nadadora profissional, nem abrirei uma escola de natação, nem porra nenhuma, mas todos os dias que eu vou para a piscina eu me sinto melhor, mais saudável e feliz. E isso eu só consegui porque não tinha o talento para ser atleta, dona de academia de natação, garota propaganda da speedo etc.
Também aprendi a mexer com plantas — mais ou menos, porque vira e mexe elas morrem, ou acontece alguma coisa estranha. Já tive hortinha, colhi manjericão para cozinhar e hortelã para fazer mojito… Já tive orquídeas, cidreira para fazer chá, arruda e pimenta para espantar mal olhado… Eu não entendo de plantas. Não serei paisagista e não terei de cabeça as melhores coordenadas para quem quer ter um jardim. Mas, por não ter esse TALENTO, eu tenho manjericão, e flores, alecrim, lavanda e até algumas plantas que “não vingam”.
Hoje percebo que essa lista de exemplos é vasta e que esse artigo poderia virar um pergaminho. E essa sensação me deixa feliz. Saber que tenho vivido uma vida inteira de possibilidades, encontros, conquistas, frustrações, amores e diversidade graças ao fato de não ter talentos e ter encontrado aí a chave da diversidade e da felicidade.
Ontem, li uma frase e gostaria de finalizar com ela:
FORWARD IS FORWARD . ( PERIOD )
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