Fiquei sem saída, o início.

Eu não venho com palavras bonitas, inteligentes ou sensíveis. Eu venho como uma criança que não sabe andar. E é ao som de Beatles, o som harmonioso que fez tudo começar, que eu vos escrevo. Porque talvez tudo irá terminar. E aqui eu deixarei tudo que eu senti nessa agonia que é a minha cabeça.
Por favor, não leve isso como um pedido de socorro ou uma desistência. Acredito que o universo sempre nos traz sinais, e há alguns dias eu venho me deparado com histórias parecidas (ou não) com a minha que tiveram um fim no qual eu sinto que deve ter o meu. Não estou alimentando um ciclo, deixo isso claro. Só sinto que às vezes o universo se esquece e então nós precisamos fazer algo para lembrá-lo.
A vontade que cresce em meu peito e suplica pela minha atenção é extremamente agonizante. Me dói as entranhas e me faz perder a sanidade. Há quase um mês eu comecei um tratamento psiquiátrico. Quando a médica me passou o remédio, a primeira coisa que fiz foi ler a bula. Talvez o meu pseudo-hipoandrismo me faça ter essa mania desvairada de ler todas as bulas de todos os remédios para ir diretamente na aba de “reações adversas” e logo após, se algo me interessar, desço os olhos lentamente para a aba “[…]em caso de superdose…” Mas não culpo os farmacêuticos e fabricantes por avisar-nos do perigo. Todos somos viciados em drogas diferentes, e sempre há os suicidas. De qualquer forma, o meu remédio me dizia que tratava de depressão e transtornos de ansiedade. E a forma com que ele faz para “melhorar” essa doença é aumentando a serotonina. Aquela coisinha química do cérebro que faz trazer a felicidade.
De fato andei pesquisando bastante sobre essas coisas, mas sou extremamente leiga. E de fato, o remédio não funcionou. Ele me dá picos de felicidade, uma felicidade que eu não sei de onde vem e suplico para que não vá embora. Mas logo a tristeza toma conta do meu corpo e todos os pensamentos mórbidos voltam para o seu habitat natural. Eu.
Há mais de um mês eu me cortei. Cortei os pulsos, de forma horizontal porque não queria de fato me matar, mas sim sentir uma dor física para que a dor psicológica/emocional se distraísse um pouco. Mas, hoje só me sinto fraca por não ter feito cortes profundos o bastante para que eu não acordasse mais. Eu estava sozinha, ninguém sabia o que eu estava passando. Era o momento propício. Mas fui fraca. Minha maior fraqueza é não conseguir realizar o único feito que eu poderia fazer para trazer paz nessa terra. Sou um fardo. E se já não bastassem as guerras que ocorrem nessa humanidade medíocre e podre, eu não aguento mais a pressão de minha mente. Ela cresceu mais do que eu. Não sei mais quem sou.
Não sou mais, para falar a verdade.
E nem sei o que eu quero dizer com esse texto, sinto que irei rodar e rodar em volta do meu próprio rabo até mordê-lo e gemer de dor.
Talvez eu esteja educando a minha mente ou procurando reais motivos para me sujeitar a isso, mas acontece que nenhum motivo é grande o suficiente.
Eu sempre fui movida a amor. E ele sempre escapa de meus dedos como areia. Talvez eu não nasci para ser amada. Somente para amar e transformar isso em arte.
Hoje eu conheci a história de yoñlu. Um garoto de 16 anos que compunha músicas extremamente sensíveis e que se matou, sem nenhum motivo aparente. Talvez foi a depressão, mas sou mais inclinada a acreditar que há certas almas encarnadas nessa terra que não suportam a energia negativa que existe aqui. Eu jamais serei como yoñlu. Eu não sou inteligente, ou sensível, ou artisticamente madura como ele. Eu sou fútil. Extremamente fútil. Mas, a história dele me fascinou. Me deu um certo medo e uma certa coragem. Eu gostaria de encontrá-lo, seja onde ele estiver. Sei que seríamos ótimos parceiros de escrita.
Já se sentiu assim? Eu constantemente me vejo lendo histórias sobre suicídios, conhecendo pessoas após seus atos suicidas e pensando: “poxa, eu poderia ter me encontrado com essa pessoa. Poderíamos ter sido grandes amigos(as), eu poderia ter reconfortado essa pessoa em seu momento de dor. Talvez ela estaria viva hoje e estaria me reconfortando.”
Eu queria ter sido útil para alguém. Útil para essa humanidade. Sempre me baseei muito em personalidades fortes e tristes. John Lennon, Kurt Cobain, Jim Morrison. E as histórias dessas pessoas, sejam elas suicidas ou não, me fazem pensar muito sobre meu papel nesse lugar. Eu não quero fama, principalmente não após minha morte. Mas eu queria deixar uma mensagem. Uma frase, qualquer coisa. Eu não quero ser lembrada. Mas eu quero ser significante na vida de alguém.
Sempre fui de ajudar muito as pessoas, mas nunca soube fazer isso de fato. Acabo sendo somente uma válvula de escape, mas não uma luz. Não quero somente ser um saco de pancadas. Quero ser a pessoa que tira as luvas de boxe e dá conforto e um abraço. Fazendo toda a dor desaparecer.
Mas eu não consigo ser essa pessoa. Não consigo fazer o bem. E pelo contrário, de tanto querer fazer o bem, só estou fazendo o mal.
Eu preciso cortar isso pela raíz.
Ainda não me decidi quanto a data. Mas sinto que está próxima.
Não quero escrever mais nada agora. Em breve nos encontraremos.
Ou não.