Uma sugestão aos secundaristas e okupantes que hoje fazem História

Nessa última semana, o estado de São Paulo começou o maior movimento secundarista de ocupações de sua história, onde até o momento, mais de 122 escolas estaduais públicas estão ocupadas pelos estudantes.

No exato momento, entre os dias 24 e 25, acontece a prova do SARESP, que está sendo amplamente boicotada, seja em escola ocupadas ou não. Portanto, o movimento é amplo, potente e com grandes possibilidades, porém, isso depende de sua organização e reivindicação.

Imagem: Território Livre

O Território Livre divulgou uma nota chamando as escolas ocupadas para organizarem um Comando Estadual, para que exista uma organização estadual a partir da base, para que seja possível se contrapor as associações institucionais que estão se apropriando da luta, como a UBES, UMES e derivados, que nesse momento, conforme o Esquerda Diário, protocolaram uma pauta de negociação com o governo do estado de São Paulo, sem dialogar com as demais escolas que não pertencem a sua organização, que partem de uma organização de base, ao contrário do centralismo burocrático existente nas organizações que nesse momento, se assemelham a tática do governo ao aplicar a ‘reorganização’, fazendo algo que afeta a comunidade como um todo sem consultá-la.

Partindo dessas questões, evidenciamos que se torna necessário uma organização, ou mesmo uma reunião presencial, ou via Skype (independente do meio de comunicação) para estruturar a pauta que deve ser negociada com o governo, para que outras associações organizadas possam usurpar do movimento e tomar a frente dele sem consultar as bases que, por estarem desconectadas entre si, não podem ser ouvidas, pois não teria quem escutar.

Esse movimento é um dos maiores movimentos secundaristas já vistos em terras brasileiras, e não pode ser perdido pela apropriação indevida, ou pela falta de organização que poderia constituir uma rede de luta em todo o estado.

Além do problema da organização e da criação do comando, penso que exista um novo ponto de pauta que surge em meio as ocupações, que está implicita e ainda não foi formulada como algo que deva ser reivindicado.

A organização escolar, hoje em dia, é burocrática, corrupta, autoritária e completamente controlada por professores com formação específica para a gestão escolar; mas, se observarmos a realidade das escolas públicas, podemos entender que sua gestão não tem capacidade para desenvolver uma escola que tenha condições de criar vivências e permitir que a aprendizagem flua.

Em outra escala, a Secretária da Educação é controlada por agentes do governo do Estado, que defendem os interesses de seus financiadores de campanha, que são principalmente, quando se trata da área da educação, financiadores de colégios e universidades particulares. Além do mais, por mais que a reorganização seja impedida pelo movimento, outros ataques virão, isso se permitirmos que o Estado e seus burocratas continuem gerenciado a educação pública.

Teatro na EE. Raul Fonseca

Entendendo que a Secretária da Educação do governo do Estado não trabalha para o ensino público, ou seja, não trabalha para a comunidade como um todo, sendo ela aluno, pais, professores e funcionários; a escola é gestionada por professores burocratas que são formados para exercer sua profissão, mas nitidamente não desempenham qualquer transformação qualitativa no espaço escolar. O que podemos entender tendo em vista que as ocupações TRANSFORMARAM a escola em poucas dias, fazendo dela um espaço de vivência, aprendizagem e criação, ou seja, transformaram a prisão-escola em um lar-escola, um lugar onde o estudante não quer fugir, mas quer entrar?

Os estudantes secundaristas e os demais apoiadores devem ampliar a pauta e entender que o objetivo do movimento de ocupações pode ser muito maior: que seja reivindicado para a comunidade escolar o total controle sobre a educação em todos os níveis de organização, desde a Secretária de Educação até a base escolar!

Reforma do Jardim no E.E Clybas de Assis/SP

Os únicos capazes de transformar a escola são aqueles que fazem a escola ser uma escola; que toda a verba pública da educação seja destinada para as escola públicas e que a comunidade tenha total controle sobre todas as áreas que se destinam a educação no governo do estado de São Paulo.

A utopia nada mais é do que algo possível que é compreendido como impossível devido as forças que impedem a sua realização; mas nós temos forças, nesse momento, de fazer da utopia realidade!

Gravem vídeos que comuniquem as suas manifestações para reivindicar a organização estadual de base e a discussão de uma pauta verdadeiramente ampla, para além do fim da reorganização: o fim das desgraças promovidas pelo estado; pela gestão da educação estadual através da democracia direta!

Imagem: Território Livre