Milonga

Você não cansa de me pedir coisas que eu não consigo te dar. Você exige que eu seja perfeita, saiba exatamente como agir em todas as situações, mas tudo que eu posso te oferecer são minhas palavras. Tudo que eu tenho pra te dar são alguns garranchos numa folha com marcas de café e cinzas de cigarro. Eu não sou melhor que isso mas nem isso você quis.

Mas diz porque tu vais embora? Eu te sufoquei? Te enchi o saco? Tu se apaixonaste por outro alguém? Me diga. Seja sincero, eu preciso saber. Eu preciso que tu tenhas coragem de olhar no fundo dos meus olhos e dizer que se encantou por alguma outra mulher na rua. Mas tu não consegues, né? Tu és tão covarde que me enviaste um bilhete. Um bilhete.

Agora, todos os dias, eu praguejo teu nome pelo meu quarto, aquele mesmo que era nosso. Como um torpedo, eu deslizo sobre nossas lembranças e não consigo sentir nada além de desprezo por ti.

A única certeza que eu tenho tenho é que quando você não esperar vai doer. E eu sei como vai doer. E vai passar, como passou por mim e fazer com que se sinta assim, como eu sinto. Você não vai ter um minuto de paz. Vou assombrar tua vida como um fantasma, vou ter certeza que você vai lembrar. Vai rezar pra esquecer, vai pedir pra esquecer, vai implorar pra esquecer. Mas eu não vou deixar. Eu não vou deixar.

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