Photo by Lou Levit.

Xadrez e Planejamento

Há mais ou menos dez anos, uma das minha atividades favoritas era jogar Xadrez. Frequentava grupos de jogadores e torneios aos fins de semana. Esse foi meu auge, estava longe de ser um bom jogador, mas podia sentir prazer sempre que arquitetava uma armadilha.

Logo nessa época eu pude perceber minha pior falha no jogo. Eu tinha o objetivo em mente, encurralar um bispo, tinha as primeiras jogadas bem claras, mas contava apenas com a sorte no desenvolvimento. Não dava sempre certo, mas eu assumia o risco. Há sempre imprevistos, não há máquina suficiente para calcular todas as possíveis jogadas.

Hoje estava implementando um algoritmo não muito complexo em um projeto, na verdade pouca coisa mais avançado que os descritos nos livrinhos pesados da faculdade. Após horas quebrando a cabeça com algo que não me parecia certo, notei que foi claramente falha da minha concepção inicial. Não dá pra pensar em tudo certinho desde o início. Pelo menos não com a minha experiência atual.

Deu o horário do expediente e eu fui embora. Tomando banho mais tarde eu tive um insight. Pode ser que eu tenha conseguido resolver o problema, amanhã eu testo. Mas o mais impressionante foi que logo após estas ideias, pensei no quanto isso se parecia com a minha própria vida. Recentemente para tomar decisões eu só considero o objetivo distante e a complexidade dos primeiros passos, o resto nunca me preocupa, deve ser intuitivo.

Fiquei pasmo por alguns minutos por essa coincidência incrível. Minha mente ansiosa por construir padrões e deduções ilógicas previu que eu talvez não tenha tanto sucesso com essa confiança na intuição e na sequência natural de fatos. E essa construção toda não me levou a qualquer solução, apenas um desconforto.

Pensei então em escrever sobre essa confusão harmônica de fatos desconexos dentro da minha vida. Claro que daria um bom texto. Pensei em começar falando de Xadrez, depois programação e depois… bom, acho que o resto foi na sorte.

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