Aqui, a Freguesia tem sempre razão

Dá para fazer tudo à pé nesse lugar. Duvida?

Por muitos anos — a verdade seja dita, minha adolescência inteira — tudo o que eu fazia na Freguesia, dava para ir andando. Para os mais preguiçosos, um táxi no final da Estrada dos Três Rios levava a menos de dez conto para qualquer ponto do bairro. É um lugar pequeno, bairrista mesmo, e você só sai daqui quando vai trabalhar. Desconfio que só perante VT também.

É real. Lanço o desafio: o que você, morador da Freguesia, não consegue fazer a 10 minutos a pé? Beleza, talvez 15. Quer comprar pasta de dente? Tem uma farmácia a 5 minutos, com certeza. Quer pão quentinho no café? A padaria está aberta às 6h, vai lá. Quer cortar o cabelo? Um salão a cada bloco. Quer pegar ônibus? Anda um pouco, mas vai ter ponto. Quer ir ao mercado comprar sorvete de flocos? Talvez o sabor seja outro, mas tem no mercado, na farmácia e no posto de gasolina. É um lugar cheio de tralha pra vender.

Quando entrei no Ensino Médio, minha rotina se resumia a uma rua. Nela, uma das últimas com paralelepípedos que ressoam cada passagem de carro, tinha o meu colégio, o meu curso de inglês, a minha academia, o centro esportivo, a lanchonete onde almoçava, o meu próprio prédio e uma livraria pequena que vendia picolé e qualquer outra necessidade fútil de estudante.

Com o tempo, vieram os restaurantes grandes, as lojas chiques, os points da noite, os cachorros-quentes famosos e mais prédios do que ruas para se andar.

Parece um bairro com tudo que é comércio e pronto para ser autossuficiente. Também, fica a 2 horas de transporte público de qualquer lugar da cidade.

Tinha como não ser assim? A Freguesia sempre tem razão mesmo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.