Existe amor em Jacarepaguá

O boom imobiliário e as minhas 5 residências no bairro

Uns anos atrás, a rua Araguaia estava com prédios novinhos saindo do forno. Obviamente minha mãe chegou a ver um condomínio, que teria uma mini cachoeira caindo na piscina e, advinha, na mesma calçada. Louco, né?

Foi no mesmo período em que meu pai tentava vender o apartamento que tinha terraço e a história do mico mijão. A recessão batia nas contas de casa, o carro havia sido roubado, o emprego perdido…

Demorou. A concorrência era alta. O Globo e a Veja Rio anunciavam a Freguesia como o novo point do polo gastronômico, sendo ao mesmo tempo a Lapa e o Leblon de Jacarepaguá. Mistura confusa, não?

Andar pelo bairro, naquela época, era meio que um canteiro de obras a cada esquina. No baixo Araguaia, surgiam novos restaurantes como Badalado e suas músicas à noite; na Geremário Dantas, redes como Koni e Spoleto faziam a festa dos adolescentes depois do colégio; e as clássicas padarias Kúffura e Nova Belém reformavam áreas para buffet com cardápio ampliado.

Lembro de ter chegado de uma noitada e assistir à abertura da padaria. Fui a cliente mais faminta às 6h que a Freguesia já viu.

Hoje, tempos depois, as construções residenciais deram um sossego. Já não tem mais espaço nem mato para destruir. A floresta que tinha o mico mijão? Já não existe mais, virou condomínio. O último sítio da região? Virou três prédios brancos. Se quando eu era criança tudo era pastel, hoje é tudo branco. Que mania de minimalismo!

Parte do comércio que nasceu anos atrás já fechou. Outras lojas abriram. Se tem um povo que abre, fecha e reabre negócios, é o da Freguesia. Aqui, não tem tempo pra deixar freguês na mão. Quem sobrevive, dá uma repaginada de 2 em 2 anos.

Do camelô na Passarela da Freguesia ao cachorro-quente da Tia, todo mundo assiste à movimentação do sábado de manhã, quando os moradores param de trabalhar e estudar e finalmente resolvem colocar as compras em dia. Com ou sem crise, existiu o boom imobiliário e o comercial na mesma época.

Ah, meu pai vendeu o apartamento. Fomos para um prédio em frente, na quinta residência. Minha mãe desistiu do condomínio bonito com a piscina de cena de filme. Não que nosso apartamento estivesse ruim. Acho que eles só gostam de se mudar mesmo. Não me pergunte porquê.

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