Você é protagonista de qual história?

Para começar a escrever uma história, você precisa saber o final dela.
Esse foi o aprendizado mais inusitado do curso de roteiro que fiz uns anos atrás. Isso pode parecer óbvio a qualquer amante das letras, mas juro que não havia reparado nesse detalhe. Sem saber o final, pode parecer aleatória a sequência de acontecimentos e de encontros entre personagens. No fim, você não terá uma história coesa e fará o público se perguntar se valeu a pena. Aliás, imagina se a J. K. Rowling não soubesse o final de Harry Potter? Teríamos uma série de livros incríveis, porém sem coerência do início ao fim.
Então, a minha mente rapidamente pensou:
E o ser humano? Também temos que saber o final do nosso roteiro de vida para ter uma história coesa? Podemos viver sem saber para onde ir? Como direcionar esforços e decisões? Viver sem um roteiro é uma vida perdida?
A verdade é que ninguém sabe o que está fazendo aqui. E está tudo bem!
O que não está bem é não assumir o tom da tua narrativa.
Explicarei. Antes, introduzo este breve capítulo:
Em menos de 6 meses formada na UFRJ, consegui o cargo que queria, nas condições que eu queria. Foi sucesso à primeira vista, um feito admirável. Tinha claro o meu objetivo, embora não pensasse que aconteceria tão rápido.
Falhei. Foi um início de sucesso que terminou no meu primeiro fracasso profissional. Doía no peito ter essa palavra que não se coloca no currículo, nem se anuncia nas redes sociais. Ao falhar, mudei de cargo e de área, em uma decisão razoavelmente corajosa de fazer algo novo e ainda sob prova.
Mandei bem! Atingi o objetivo. Todos os dias, eu me esforçava para criar novos hábitos, ter novas posturas e ser uma profissional que não cometia os mesmos equívocos. Pensava: um capítulo de fracasso pode ser o final da minha trajetória ou apenas uma parte de uma história de sucesso. A equipe percebeu a diferença — e eu também. Afinal, havia mudado a narrativa.
Você escolhe ser vítima ou protagonista?
Esses dois eventos profissionais provam que:
- Planos serão refeitos o tempo todo, porque a gente não controla a vida;
- O ambiente externo e as pessoas não vão seguir o teu roteiro;
- Já disse “a gente não controla a vida”?
Afinal, o futuro não existe, só o presente. Apenas existe este exato segundo da leitura desta frase. E agora este outro segundo. É isso o que faz a vida ser algo incontrolável, então o importante é saber qual rumo dar às suas histórias.
Ou como! Está na hora de ressignificar os acontecimentos, desenvolvendo uma forma proativa de escolher como contar as suas vivências. Qual será o enfoque? Qual rumo dará para a história, mesmo sem saber o capítulo final?
Pode parecer, de início, que você está inventando perspectivas. Forçando a barra, sabe. Porém, se você não começar a exercitar sua mente para esse tipo de pensamento agora, chegará aos 50 anos apontando o dedo para os pais de 80 e dizendo que eles ferraram a sua vida — sendo que você teve vários anos para assumi-la. Parece duro? Foi um diálogo real no jantar lá em casa.
Todos nós temos desafios e aprendemos modelos mentais com partes boas e ruins. Mas a ótima notícia é que cuidar da mente e do corpo não só faz viver mais, como melhor. Dá tempo de ajustar o rumo e o tom da sua narrativa.
Você pode não saber o capítulo final, mas será sim protagonista do seu roteiro. Vai lá escrevê-lo. E depois venha aqui compartilhar a narrativa escolhida.
