#4 JUSTIFICANDO O DOCE

De maneira geral, todos sabemos que o açúcar, em suas mais variadas formas e sabores, fornece-nos calorias, que, por sua vez, serão transformadas em energia pelo nosso corpo. Alguns conseguem transformar esse calor dos alimentos em força e combustível de maneira mais rápida que outros. Aqueles que possuem um processamento mais lento dessas calorias acabam formando um estoque em seus corpos. Outros apenas consomem a quantidade que desejam dessa energia e também a armazenam.

Apesar de toda a preocupação com a saúde do indivíduo com o aumento de energia acumulada — reparem a ironia, se essa energia fosse outra, como, por exemplo, a elétrica, o sonho estaria realizado — o maior problema vem da forma. Estranho, não?! O maior risco disso tudo são os formatos no plano real (em todas as três ou quantas dimensões existirem), ou seja, não importa se seu check up está ótimo, importa se a projeção da tua silhueta ao sol faz pouca sombra.

Não sei quando começou essa mania de justificar a ingestão de algum doce. No entanto, acho perverso.

Com a exceção daqueles que divulgam sugestão de novos locais para comer, principalmente doce, praticamente todas as pessoas que publicam momentos de prazer com o açúcar transformado fazem isso com um adendo ou legenda que pouco tem relação com o momento. Por exemplo, a pessoa compartilha a foto de um brownie delicioso e escreve:

“Eu tentando emagrecer”

“Fugindo da dieta”

“Por isso sou gordo (a)”

“Dia do lixo”

Um momento de completo prazer e relaxamento que é o consumo de doce vira um pedido de desculpa por não demonstrar esforço em fazer pouca sombra. Mal percebemos que é essa sombra e alma fresca, sem preocupações em contagem de calorias, que muitos procuram depois dos excessos de imagens que tentam retratar mundo a fora. Por essas e outras que deixem meu dad bod fazer a sombra que bem entender na vida de quem souber apreciar o descanso oferecido por ela.