Leia antes de começar:

Oi, sou eu. Então, primeira coisa: Acho muito foda essa tua idéia de começar a encarar com seriedade “essas” de criar, fazer sua arte, compor, assinar umas paradas e ir dormir imaginando como seria do caralho ser reconhecido por isso, ganhar dinheiro, prêmios, tapinhas nas costas e tal…
Só assim: Não viaja.
Você por acaso lembra quantos livros você começou a escrever e depois abandonou antes da metade porque teve crises existenciais e achava que não era bom, maduro, sábio ou “Saramago” o bastante?
Então, um conselho na amizade aqui entre nós: Não fode, Chris.
Sério que você crê em sã consciência que os responsáveis por seus 3 likes no Facebook (Inclusos os reincidentes de sua mãe) realmente são burros o bastante pra acreditar no que escreve quando você resolve pagar de intelectual?!
Seguinte, eu quero te propor uma coisa na camaradagem pra tu não passar vergonha: Sabe aquela tua ladainha clichê que você fica repetindo pra si mesmo quando não tá satisfeito com alguma coisa que criou?
Isso, essa mesma de “O punk me salvou”… Pff!!!
Hahahah! Mas fala aí, o punk te salvou de quê? De perder o dinheiro que a vovó colocou na sua lancheira, playboy?
…Tá, foi mal, mas sério agora: É essa a essência da coisa, cara.
É o tal do “foda-se” saca?
Você nunca foi o mais inteligente da sala e nem o melhor em nada, então a coisa mais inteligente que você pode fazer, é reconhecer essa combinação entre ignorância e insignificância e começar daí.
Você não vai ganhar nenhum Nobel ou Pulitzer e na verdade isso é até um alívio porque eu particularmente não imagino você nesse mundinho de egos aí.
Não faz seu tipo e eu sinceramente acho isso uma coisa admirável em você:
Você sempre sentiu prazer em dar bom dia “pra faxineira” e sempre sentiu nojo ao ter que lidar com “esnobes”.
Resumindo, garotão: Quer escrever? Uau, bravo! Go for it!
Só não queira ser quem não é ou exija de si mais do que pode dar.
“Ok” não é ruim, “Ok” está ótimo e quem tira 6 ocupa a mesma sala dos que tiram 10.
Eu sei que na hora você vai querer reeditar mil vezes, vai ficar procurando erros até de fato encontrá-los mas na verdade você não está aqui pra ser “perfeito” e sim pura e simplesmente pra se aplicar à essa forma de se expressar que tanto lhe agrada.
As bandas das quais você mais gosta são aquelas em que os(as) membros(as) nem sabiam como tocar antes de escolherem o próprios instrumentos mas mesmo assim, iam lá e compunham os sons mais fodas de todos.
Enfim, perdão por falar assim com você, eu só não quero que se frustre antes mesmo de tentar executar esses teus novos projetos.
Estou ansiosa para vê-los se desenvolvendo, desejo que dê tudo certo e estarei aqui sempre que precisar.
Att.
Sua consciência.