Usando a estratégia Disney em uma futurospectiva

“Meu sonho era viajar o mundo e trabalhar para mim mesmo, mas custa muito caro, é muito difícil e se der tudo errado eu não vou ter como voltar atrás…”. Quantas vezes você já viu alguém matar um sonho impondo barreiras e desistindo do mesmo, sem ao menos planejar e viabilizar a idéia? Quantas vezes VOCÊ fez isso?

Essa técnica eu aprendi durante minha jornada de formação como Practitioner da Programação Neurolinguistica (PNL). Ela surgiu da modelagem de Walt Disney feita por dois trainers de PNL (Robert Dilts e Todd Epstein) e esse modelo auxilia na organização do pensamento (indiviual ou coletivo), de forma a aumentar a capacidade de se alcançar objetivos.

Eles reconheceram que Disney usava três tipos de pensamento — sonhador ou fantasioso, planejador e crítico construtivo.

Os pensamentos mapeados de Walt Disney

O primeiro tipo de pensamento, sonhador, é o momento onde devemos imaginar com a maior quantidade de detalhes como nos imaginamos, passado um dado período de tempo (que pode ser 1 sprint, release, 1 mês, 1 trimestre). Quanto mais detalhes melhor: O que, nesse futuro, estamos fazendo, vendo, ouvindo, sentindo? O que se alcançou? Que benefícios se desfruta? Importante também aqui é a ausência de julgamento e o uso da criatividade.

O segundo pensamento, planejador, é onde pensamos no passo a passo para tornar esse sonho realidade. Se leva em conta que todo plano é possível e procura maneiras de fazer esse plano acontecer. Como vamos chegar no sonho que fantasiamos? Quais os passos em forma linear que temos que tomar?

Por último, o pensamento crítico construtivo, onde se deve olhar o plano e não o sonho, e tecer críticas construtivas a ele. É um momento para avaliar os riscos (de novo, do plano e não do sonho), buscando falhas ou brechas para previnir problemas e garantir o sucesso. Mas cuidado, façam críticas construtivas em relação ao plano, mas não busque soluções para elas. Afinal, isso é papel do projetista!

“Hmmm… que interessante Cristiano, mas.. e o que isso tem a ver com futuro…futuro o que mesmo?”

Ah, verdade, eu ainda não falei sobre a futurospectiva! Bem, futorospectiva é uma espécie de retrospectiva, porém olhando para frente, ao invés de olharmos para trás. Olhando para frente (para o futuro), sonhamos e objetivamos metas.

“Entendi! E então como tem a ver com sonho, podemos usar a estratégia Disney para coletivamente sonharmos com um time melhor, isso?”

Perfeito! Agora que ligamos os pontos, vamos aprender a execução técnica?


Execução

Como falamos antes, existem 3 papéis: sonhador, realista e crítico. Precisamos criar 3 espaços onde todo time caiba dentro deles. Podem ser círculos desenhados no chão, por exemplo. O importante é termos cada espaço bem definido e delimitado fisicamente, pois vamos associá-los a cada pensamento.

Muito bem! Agora precisamos associar cada local com seu devido pensamento. Para isso, convide a equipe para ir ao primeiro local. Todos dentro do círculo do sonhador, agora peça que eles lembrem da última vez que sonharam alguma coisa (uma viagem, um emprego, uma compra) e pergunte como eles se sentiram enquanto sonhavam. Deixe-os ali sonhando e experimentando esses sonhos por cerca de 1min. Se tiver bastante tempo, é possível coletar algumas sensações ligadas a esse tipo de pensamento (por exemplo, euforia, felicidade, liberdade, enfim…).

Experimentado o sonhador, agora peça que todos movam-se para o círculo do projetista e então explique que nesse círculo se planeja como realizar os sonhos sem restrições. Peça que lembrem da última vez ou de alguma vez que planejaram alguma coisa com muito entusiasmo, pensando no passo a passo e também experimentando as sensações que lembrar da situação trás (confiança, assertividade, etc…).

Finalmente, leve-os para o último espaço, do crítico. Novamente explique o que significa estar ali e o que se espera que seja feito. Peça que se lembrem da última vez que construtivamente criticaram um plano e prestem atenção no que sentem enquanto lembram das críticas contrutivas.

Se alguém disser que nunca sonhou, planejou ou criticou (ou que não se lembra), simplesmente instrua a imaginar como seria e o que sentiria nessa situação. É necessária essa primeira rodada de associação pois facilita muito a dinâmica.

Tire as pessoas dos espaços. Pergunte como elas se sentem ao olharem cada espaço. Para cada pessoa pode significar coisas diferentes, visto que cada uma tem suas próprias experiências e vivências.

Finalmente, todos vão para o espaço do sonhador. Inicie lembrando todos do contexto: Como queremos estar como time no futuro. Facilite essa imersão no imaginário lembrando-os de usar a criatividade, de pensar no que veem, ouvem, sentem, falam. Dê uns minutos para que cada um pense e depois abra um momento para que se discuta e que eles convirjam numa visão/sonho coletivo, ou seja, o que todos juntos sonham para eles daqui <espaço de tempo definido>. Lembre-os também que esse momento é livre de julgamento, tudo é aceito. O esperado desse momento é uma visão coletiva de como o time que estar. Uma prática interessante é montar uma nuvem de tags (descrição mais completa em inglês aqui ), assim se cria um conceito visível, do que foi sonhado por todo o time.

Grupo no espaço do sonhador
Nuvem de tags

Feito isso, o grupo move-se para o espaço do planejador. Assim como no outro espaço, dê um tempo para eles pensarem como atingir aquele sonho. Lembre-os que todo plano é possível. O que precisam fazer para chegar lá? Com quem precisam falar? Qual deve ser a atitude do time durante esse trajeto? O esperado é um plano, passo-a-passo do que será feito para atingir o sonho definido no momento anterior.

Grupo no espaço do planejador

Agora o grupo vai para o espaço do crítico construtivo. É muito importante que seja realmente construtivo, somente fazer críticas vazias não leva o grupo a lugar nenhum. Aqui o grupo vai levantar possíveis pontos de falha no planejamento feito, riscos, pontos de melhoria.

Com esses pontos de falha, riscos, etc encontrados no espaço do crítico. Volte com o grupo para melhorar o plano. O ideal é fazer algumas rodadas entre o planejador e o crítico para que se tenha um plano consistente. O time vai saber a hora que está bom o suficiente :-)

Desta maneira, o time sai com um plano de ação para atingirem o sonho, criado por eles e, importante, dirigido e acordado entre todos!

E aí, parece fácil? Cansativo? Chato? Me conta!

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