Sapiente
Então surgiu.
Está no Cosmo. Olha para tudo e não entende muito. Percebe suas asas, seus membros. Apalpa, experimenta, falha e insiste. Anda descalço pelo mato, pela areia, sente a correnteza e as ondas por entre seus pés. Pergunta e desvenda. Vê dia e noite, nuvens, chuva, neve, o vento forte e as brisas geladas. É capaz de muitas sensações. Compreende tudo com mais clareza a cada dia. Percebe, ao mesmo tempo, que há muito a se explicar. Existe um universo desconhecido dentre tudo que já conhece. Então, deve perseguir a compreensão do incompreendido. Com suas asas, deve voar mais alto, com seus olhos deve enxergar mais longe, suas mãos deve sentir melhor a natureza. Nasceu junto de si a noção de que um dia, como tudo nesse cosmo, também desapareceria. Deve garantir a vida eterna enquanto pode. Existir tanto quanto o universo é o único presente, o único dever, o legado que se deve deixar. Não fazê-lo seria o maior desperdício de todos. Assim, brande suas asas com dor e hesitação.
Decola. Sente o cosmo.
Desliza pelos céus, subindo, subindo….

