Lima Barreto, 0

Cláudio Soares
Feb 23, 2017 · 1 min read

O jornalista e romancista francês Paul Brulat (1866–1940) lamentou em seu romance “Le Reporter”, de 1898 “o destino daqueles que sobrevivem ao próprio engenho e energia laboriosa”, aqueles que “não morrem a tempo”. Sob esse ponto de vista, Lima Barreto (1881–1922), que não podia corrigir a despreocupação, os desprendimentos de uma existência, que tinha como hábito único a falta de hábitos, começava a viver demais. Lima era, de temperamento e essência, um boêmio. Quando morreu, seu prestígio literário mantinha-se apenas por uma questão de (poucos) direitos anteriormente adquiridos. Tudo o que o artista podia obter (menos do que merecia, certamente, pelos motivos que veremos nas páginas seguintes), já o tinha obtido, e talvez, dali pra frente, a sua glória não fizesse senão diminuir. Eis porque, até na morte (ainda que tenha morrido tão jovem), Lima Barreto venceu.

Cláudio Soares

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E-publisher, escritor, jornalista, tecnologista e palestrante.