Utilidade da bibliografia

O professor escocês John Ferguson (1838–1916), que foi um químico conhecido por todo o mundo sábio, era também um bibliógrafo de grande mérito. Foi, até pouco antes da sua morte, presidente da Sociedade Bibliográfica de Edimburgo e, tendo chegado ao termo de suas funções presidenciais, dirigiu a seus colegas, sob a forma de discurso familiar, opiniões e conselhos excelentes a propósito de “alguns aspectos da bibliografia”. Estabeleceu aí, com método e precisão, os direitos da bibliografia, sua necessidade (é como que a biografia dos livros) e os serviços que todo o “amigo dos livros” pode prestar catalogando e descrevendo as obras relativas ao assunto que particularmente o interessa, qualquer que este seja: e isso sem pretensão a ser completo nem perfeito, porque é tão impossível a uma bibliografia ser completa como o é deixar de ter uma certa utilidade. É o bibliografo quem prepara o terreno ao historiador, ao escritor, ao professor. É ele, também, quem salva do esquecimento a grande massa dos autores. O campo da bibliografia é ilimitado, pois não há assunto sobre o qual se não tenha escrito ou não se escreva ainda; de tal modo que os trabalhos já publicados, mesmo que não tivessem (coisa impossível) omitido coisa alguma até sua data, ao fim de alguns anos, têm necessidade de continuadores.