Antes de qualquer coisa

Petites Luxures

Passei dias pensando na roupa que vestiria pra te encontrar. E se deveria vesti-la na viagem, pra que você me achasse linda logo de cara. É o que espero, ne? O caso é que sou muito desastrada e periga a roupa se sujar no caminho. Fiquei pensando até na lingerie. Odeio sutiãs. Mas, adoro calcinhas. Você sabe.

Deveria comprar uma nova? Deveria vestir aquela que já adoro e que deixa minha bunda bonita? Ou não deveria vestir calcinha alguma?

Se bem que, mesmo de avião, haveria uma viagem no meio do caminho, ne? Iria sem calcinha na ponte aérea? E se passasse mal no voo? E se precisasse ser atendida de emergência? E se notassem que eu estava meio pelada por baixo da roupa?

Sempre me lembro daquele livro que a moça tem queda de pressão durante a missa e quando retiram a roupa dela num quarto, ela vestia uma combinação de renda linda, encantando a narradora da história. Li isso quando era criança e sempre fico pensando que muitas vezes eu me sentiria envergonhada se perdesse os sentidos na rua e alguém me visse de roupa de baixo.

Adoro calcinhas. Mas, nem sempre são lindas de renda. Aliás, quase nunca, ne? Que calcinha de renda é boa só pra tirar nudes. Não pra sair por ir, no banco, no correio, no supermercado. Na vida real, a gente usa da grande, alta, de algodão, boa pra respirar e dar uma estilizada na barriga.

Mas, não será a que vou vestir pra você.

E aí? Devo já ir com ela? Ou devo vesti-la no banheiro do aeroporto, na chegada, pra que ela se mantenha fresca? Será que aguento um fio dental a viagem inteira? Aquele fio enfiado no rego pode ser incômodo pra caralho. Ainda mais no meu. Cansei de ajeitar calcinha em público. Quando vi, já fiz.

Por outro lado, você curte o cheiro de suor de buceta, ne? Hum… E eu devo suar no caminho, certeza. Suor misturado com tesão. Cheiro de buceta ansiosa por seu pau. Buceta suada, melada, tesa por você.

Vou chegar, e você nem vai reparar na roupa. Ou na mancha de coca cola que terei derramado durante o voo. Bobagem a minha, ne? Ainda assim, sei que vou passar a semana me besuntando de óleo. Quero minha pele brilhando pra sua língua.

Quero que você me lamba como me prometeu. Sua língua, boca, dentes e dedos passeando por meu corpo inteiro. Sua língua e hálito quente morando em minha buceta. Suas mãos me apertando a bunda enquanto levanta de leve o meu quadril.

Seus dedos explorando meu cu.

Assim penso em nosso primeiro encontro. Antes mesmo de qualquer “oi”, quero sentir seu pau duro por baixo da bermuda, quando nos abraçarmos, perto da saída dos taxi. Sei que você vestirá uma por causa do calor. Sei que será cinza. Pra combinar, uma camiseta azul, que eu adoro. E aquele all star velhinho, que até já vi em foto. De longe, um perfume difuso, gostoso. De banho, acho.

Que você vai me levar pro seu ap e me agarrar no elevador, sabendo que o porteiro vai ver pela câmera. Vai me prensar na parede, com a porta aberta, esperando que o vizinho reclame. Depois de bater uma punheta.

Que você vai me comer de pé, ali mesmo na porta. Que vou gemer, mas você vai querer que eu grite. E vai me empurrar contra a parede, vai me dar um tapa na bunda quando me virar de costas. Pra que eu o faça involuntariamente.

Mas, nada será involuntário.

Tanto falamos. Tanto queremos.

Sei que você vai gozar logo. Na terceira ou quarta socada. Porque sim. Porque nossa urgência em nos termos é maior que qualquer performance. Porque andamos nos querendo há tanto tempo que não vamos precisar de preliminares.

Não agora. Não na hora.

Sei que você vai dizer que meu pescoço cheira bem quando afastar meu cabelo e morder minha nuca. E será verdade. Vai tirar minha roupa toda só pra colar seu corpo no meu. Mesmo eu sendo baixinha. E vai jogar minha calcinha pro lado, que ela só atrapalha, no final das contas.

Sei que vai me chamar de delícia tantas vezes que vou até perder a conta. Sei que vai me empurrar pra mesa e fechar a porta com o pé. E não vai conseguir parar de meter. Ainda forte. Mesmo gozado.

Sei que vai dizer que é louco por mim. Porque, naquele momento, será. E vai me chupar de joelhos, se amparando em minhas pernas. Vou me encostar de leve na mesa, e você vai se ajoelhar pra mim, perdendo sua língua no meu grelo. E você vai dizer que minha buceta tem cheiro de sexo. Até eu gozar na sua boca, enquanto seguro no seu cabelo. E a janela estará aberta. E quando conseguirmos chegar na cama, a gente vai finalmente se beijar. Um com gosto do outro. Completamente desnudos. Um pro outro.

E quando estivermos no banho, enquanto lava minhas costas, você vai me contar do casal legal, amigo seu, que viu uma foto minha e me achou gostosa. “Tô pensando em convidá-los prum vinhozinho aqui mais tarde. O que você acha?”

E eu vou rir. E concordar. Sabendo que você nem gosta de vinho.

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