A(s) voz(es) das minas

Reprodução: Facebook — Manifesto das Mina (https://www.facebook.com/manifestodasmina/?fref=ts)

Por Bia Avila

A vontade de fazer arte pode vir de muita coisa: de experiências de vida, decepções amorosas e de contato com pessoas inspiradoras. Para a designer Bianca Maciel, criadora do projeto Manifesto das Mina, foi uma soma de tudo isso. “Nada estava dando certo na minha vida, tinha acabado de passar por uma decepção amorosa muito grande. Acabei indo em uma oficina de lambes da Ryane Leão (Onde jazz meu coração) e da Lela Brandão (Frida Feminista) porque sempre gostei muito [de lambe-lambe]. A experiência foi tão motivadora que pensei: porque não expor tudo aquilo que sentia?”, conta a paulistana.

Reprodução: Facebook — Manifesto das Mina (https://www.facebook.com/manifestodasmina/?fref=ts)

Bianca conta que sempre gostou de escrever, mas nunca achou que aquilo pudesse ter alguma relevância. Quando começou a fazer os lambes, percebeu uma mudança dentro de si. “Quando eu estava muito mal, escrever e colar os lambes me ajudava muito. Parecia que eu colava e deixava a tristeza lá”.

O projeto tem alguns meses — Bianca começou em fevereiro e, desde então, afirma que ganhou muito reconhecimento com o trabalho, principalmente entre as mulheres. “Além de eu conseguir superar tudo aquilo que eu sentia, eu aprendi a enxergar muitas coisas. A principal foi o amor próprio. E vi que muitas mulheres estavam encontrando força e se identificando com as poesias do projeto e me fez querer passar essa força para elas. Pude transmitir as situações que vivi e o que aprendi com tudo aquilo. O que eu quero mostrar para as mulheres é que elas precisam delas mesmas e de outras, e não de um homem”.

Reprodução: Facebook — Manifesto das Mina (https://www.facebook.com/manifestodasmina/?fref=ts)

A artista conta que ainda enfrenta muitas situações complicadas por ser uma mulher intervindo na cidade. No início do projeto, sempre fazia suas colagens acompanhada de seu irmão para evitar assédio dos homens. “Querendo ou não, a gente sabe que o machismo está aí. A mulher intervindo na rua é algo que ainda choca as pessoas. Uma mulher sozinha ainda é vista como frágil e vulnerável, principalmente se ela está fazendo arte urbana”, lamenta.

Reprodução: Facebook — Manifesto das Mina (https://www.facebook.com/manifestodasmina/?fref=ts)

Para Bianca, é cada vez mais importante ocupar as ruas com arte. Apesar de ver avanços, ela ainda acha que há muito por fazer. “A rua é um lugar de todos, então tem que refletir a opinião das pessoas. Se isso é feito de forma artística, além de mudar o dia da pessoa que vê, aquela intervenção com a rua e a paisagem é transformadora”, compartilha.