Brasileiro une fotografia à tecnologia 3D e cria obras para deficientes visuais

Por: Pedro Arbex

Com o objetivo de tornar a fotografia mais acessível para os deficientes visuais, Gabriel Bonfim, 26, desenvolveu durante o último ano uma técnica que une a fotografia digital e a impressão tridimensional. O resultado do trabalho são fotos em alto-revelo, o que permite que deficientes visuais ‘leiam’ a imagem através do tato.

As obras do artista estarão expostas no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, entre os dias 12 e 22 de outubro, e a entrada é gratuita. O nome dado a técnica criada por ele foi de Tactography™ e tomando como base o princípio da impressora 3D — a confecção de objetos tridimensionais por meio de um arquivo digital — ele chegou a dois processos.

O primeiro deles foi pensado para as fotografias que Bonfim já tinha em seu acervo pessoal. Neste processo, a imagem digital tradicional foi enviada a um software e um programador apontava estimativas de proporções e profundidades — marcando minuciosamente a profundidades ponto a ponto. A partir dessa técnica, foram impressas 12 imagens de uma série com o tenor italiano Andrea Bocelli durante uma turnê em 2014, na Turquia.

Já no segundo processo, realizado em conjunto com o estúdio Digitalwerkstatt, Bonfim chegou a uma solução em que a captação da foto tradicional já gerava a obra em 3D. Para essa parte, convidou o bailarino brasileiro Dênis Vieira, integrante do Ballet da Ópera de Zurique, na Suíça. A sessão de fotos teve dois momentos. Primeiro, o artista fotografava Vieira com uma câmera digital. Em seguida, um scanner 3D fazia a leitura das mesmas informações visuais, criando a modelagem digital do bailarino. Enviada à impressora 3D, a fotografia era impressa em alto-relevo. Com este processo, foram produzidas mais 12 obras.

“Nossa experiência com testes realizados em escolas de deficientes visuais de Zurique mostra que uma pessoa cega, com alguma prática, pode aprender a ler e a ver uma Tactography™ rapidamente”, disse Bonfim, por meio de nota. “Um dos objetivos da exposição é também motivar deficientes visuais a ler e, consequentemente, a vivenciar uma nova dimensão da percepção. A nova tecnologia de impressão de Tactography™ tridimensional cria uma oportunidade de acesso dessas pessoas a uma forma de arte. Durante a exposição, vamos entrevistar visitantes cegos sobre suas experiências para melhorar ainda mais a técnica”, completou o artista.