Utilizando o skate, ONG tira jovens carentes do crime

Foto: Reprodução (Facebook)

Por Fernando Caliman

Fundada no ano de 2011, na cidade de Poá — município pertencente à região da Grande São Paulo -, a Associação Social Skate carrega como meta principal, incentivar e apoiar crianças e jovens a praticar o esporte. O projeto tem como base atender novos membros em situação de vulnerabilidade, devido à baixa renda dos mesmos, fazendo com que a prática do skate seja uma verdadeira transformação em suas vidas.

Além da própria habilidade no skate adquirida ao longo do tempo, mediante às aulas, os jovens também evoluem na questão cultural e intelectual, por meio de atividades de dança de rua, artesanato, oficina de grafite, debates e interação com outros membros da Associação.

Desenvolvida pelo mentor da ONG Sandro Soares, o Testinha, a ideia é algo que ganhou força ao longo da prática. O skatista fez de sua vontade, um caminho para atender e beneficiar crianças. Professor da antiga Febem, em 2000, para jovens infratores, Sandro fundou a Associação e deixou os muros altos da detenção para guiar seu próprio projeto nas ruas.

“Não tem mágica. Tem força de vontade. Se o trabalho das comunidades for depender de política, etc, a coisa não anda. Somos independentes, e skate é isso, liberdade, é voar”, declarou testinha, em entrevista à revista Trip.

Foto: Reprodução (Facebook)

Realizadas durante os finais de semana, as atividades atendem crianças e jovens de 4 a 16 anos, também contribuindo com a alimentação dos participantes. Desde sua fundação, o projeto já venceu os prêmios Prêmio Trip Transformadores (2013) e Prêmio Jovem Brasileiro (2014).

Para o Testinha, o esporte funciona como uma espécie de prevenção do mal desde o início. Na visão do fundador do projeto, o skate não se baseia somente à uma pequena prancha, com duas rodas e que pode deslizar no asfalto, mas também como um artifício que permite modificar os ideais de crianças, evidenciado que o caminho do crime não compensa.

“O trabalho de prevenção é mais barato e muito mais eficaz. Evita o contato com a coisa negativa, como costumo dizer. A influência da criminalidade e da promiscuidade são coisas que tiram a parte lúdica da infância, a inocência da brincadeira”, argumentou o skatista.

Satisfeito com o sucesso da Associação Social Skate e do projeto Manobra do Bem, Sandro Soares, responsável direto pelo atendimento de mais de 1500 jovens, utiliza o pensamento de uma grande referência no mundo do skate como estilo de vida — o do vocalista da banda Charlie Brown Jr., Chorão, falecido em 2013.

“Não tem mágica. Tem força de vontade. Se o trabalho das comunidades for depender de política, etc, a coisa não anda. Somos independentes, e skate é isso, liberdade, é voar. Como dizia o Chorão: ‘Os homens podem falar, mas os anjos podem voar.’”, completou.