Da roça o consumidor, preço da banana da terra sobe até 584%

Fabiana Dias

Banana da terra vendida em supermercados e mercadinhos de Salvador e Região Metropolitana variam de R $ 3,84 a R $ 4,79 (FOTO: Fabiana Dias)

A expressão a preço de banana, usada para se referir a um produto com um preço muito baixo, não deveria ser usada nesse sentido, ainda mais se estivermos falando de banana da terra. Embora saia do produtor por preço que varia entre R$ 0,70 e R$ 1,70 o quilo, a banana da terra pode chegar para o consumidor por até R$ 4,79. Em resumo: da bananeira à fruteira o aumento chega a 584%.

O grande salto de preços ocorre entre os atravessadores e o consumidor final. Com pouca infraestrutura de produção e pós-colheita, alguns produtores não têm condições de classificar e vender seu produto para atacadistas sem a presença de um intermediário. Essa forma de venda resulta em preços menores para os pequenos agricultores, dado que o produto passa por diferentes agentes da cadeia até chegar ao varejo.

A banana da terra é comercializada pelos produtores por quilo e por unidade. Gilson Conceição da Silva, agricultor familiar de Aurelino Leal, a 446 km de Salvador, vende para os comerciantes intermediários por cachos. Cada cacho com cerca de 50 quilos é vendido, em média, por R$ 35 (R$ 0,70, o quilo). Ele vende também nas feiras livres e fornece para o comércio institucional. No Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a banana da terra custa R$ 1,70 o quilo.

Gilson Silva, agricultor familiar de Aurelino Leal que vende um cacho de bananas por R$ 35 (Foto: Fabiana Dias)

Gilmar Sampaio, produtor de Teolândia, a 281 km da capital, produz em grande quantidade e vende sua produção para a Central de Abastecimento da Bahia (Ceasa), em Salvador. O quilo da banana de primeira qualidade é vendido por R$ 2,30. Já a banana de qualidade inferior é vendida por unidade, uma caixa com 100 unidades sai por R$ 25,00. Gilmar fornece para a Ceasa cerca de 90 mil quilos por semana.

De acordo com Sampaio, a produção está escassa atualmente por causa da estiagem que compromete a qualidade e a oferta da fruta. Para suprir a demanda, o produtor, que cultiva 10 hectares de banana em sua fazenda, compra de pequenos agricultores da região. O preço que ele paga ao pequeno produtor varia de R$1,40 a 1,70, valor é definido pelos próprios compradores que levam em consideração a qualidade da mercadoria.

Em junho deste ano a cotação da banana da terra na Ceasa era de R$ 2, hoje, subiu para R$2,70. Como alternativa para a chuva escassa, produtores já trabalham com irrigação no cultivo da fruta. É o caso do produtor rural da cidade de Laje, a 233 km de Salvador, Everaldo Barreto dos Santos. Ele optou por trabalhar com banana irrigada, pois as condições climáticas da região não favorecem o cultivo de sequeiro.

Everaldo que cultiva uma área de 20 hectares optou pela cultura da banana há quatro anos. Ele avalia que o custo benefício da produção da fruta vale a pena.

“Hoje a banana ainda é um produto rentável. É só dedicar, trabalhar direitinho que ainda dá para ganhar um dinheirinho. É melhor do que outras culturas como a mandioca que já não compensa porque dá muito prejuízo e o amendoim porque o trabalho é maior”, disse.

Os donos de supermercados e mercadinhos compram o produto de acordo com a cotação da Ceasa, que atualmente tem variado de R$ 2,60 a R$ 2,80. No entanto, quando eles recebem a mercadoria diretamente em seus estabelecimentos, esse valor pode chegar a R$ 3,00. O preço da banana vendida nos mercadinhos pode chegar a R$ 4,79.

Custos de produção

Trabalhadores descarregam, na Ceasa, caminhão de bananas trazido de Laje (Foto: Fabiana Dias)

Tanto os comerciantes atacadistas como os varejistas apontam custos com funcionários e com transporte das mercadorias como os principais agentes influenciadores do preço final dos produtos. O atacadista que entrega a banana da terra no supermercado por R$ 3,00 tem um custo adicional de R$ 250, por dia, em relação ao que entrega na própria Ceasa por R$ 2,80. Para os donos de supermercados há também os custos com higienização. Os gastos dos produtores são com insumos, mão de obra no plantio e colheita e transporte da produção.

A banana da terra comercializada na Ceasa de Salvador vem, em sua maioria, das cidades de Teolândia, Gandu e Valença. O transporte é feito por caminhões. Everaldo dos Santos paga entre R$ 700 e R$ 800 o frete por viagem de 233 km. Gilmar que transporta a carga em caminhão próprio, gasta R$ 765 com combustível.

A Bahia ocupa o primeiro lugar no ranking de produção nacional da fruta, com mais de 1,13 milhão de toneladas/ano, e 88.147 hectares de área plantada. Os principais municípios produtores do estado são Bom Jesus da Lapa, Wenceslau Guimarães, Ponto Novo, Barra do Choça, Ibirapitanga, Ibirataia, Encruzilhada, Curaçá, Taperoá, Presidente Tancredo Neves e Teolândia.

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