Nota de Natal.

Existe uma relação entre a culpabilização do pobre (ou, o destituído de capitais financeiros e culturais acumulados e mobilizados em prol, diretamente, para estratégias de recompensas ativas na sociedade) e os comentários de caráter humorístico sobre discussão política em família no período das festas de final de ano, quando se junta família para eventos.

Sabemos que humor é moral: moralista e moralizante. Mas o que importa é que boa parte desses comentários resguarda o não-enfrentamento que muitas das pessoas com acúmulo de capital cultural (que os leva/colabora a certos posicionamentos políticos e/ou perspectivas críticas aparentes contra sistema) não fazem com seus pares, ou em uma linguagem mais pedestre, de classe média para classe média. Sim, pois boa parte da classe média intelectualizada e progressista que se diverte com memes sobre "problemas dos familiares conservadores", riem da própria imobilidade diante do não-enfrentamento contra a mesma classe; enfrentamento político (e, obviamente, nada fácil) de debates, esclarecimentos etc contra indivíduos que compõem disposições parecidas na bagagem e pertencimentos, mas não dispõem (muitas vezes) do mesmo acúmulo de capitais culturais.

Assim sendo, e vimos isso com muita força no final do ano passado, a culpabilização dos pobres por serem "maus eleitores" ou "não saber o que é bom pois votam em candidatos de direita", ou ainda "usufruirem do crescimento econômico da Era Lula/Dilma apenas na questão de consumo", ocorrera de forma despudora e inconsequente por parte desses setores. Enfrentar seus pares, vestidos de camisa da CBF, que é bom (e necessário): nada. Mas isso já foi dito à exaustão.

É isso. Apenas uma nota.

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