O fosso e o vento

Tulio Custódio
Sep 20, 2018 · 1 min read

A marola dos ventos neoliberais, enquanto uma racionalidade para os lados de cá, periféricos, determina gotas de orvalho férteis para o maior nutriente de nossas terra: colonialismo. E colônia é sobre divisão, partição, compartimentalização. É sobre guerra e raça.

Consenso, “cordialidade”, o “meio do campo” nunca existiu nas colônias; e quem acredita que isso é possível é porque está no lado das ilusões construídas nos simulacros do concreto — fruto, acreditaria, das mesmas condições de abstração e fantasmagoria que orientam exponencialidades do capital.

O fosso está aberto há muito tempo. A marolinha ajuda a perceber. Uma disposição não cria, e sim encontra condições para existir. “Tatu não sobe em toco”, mas o toco é produção da implicação do ser humano na natureza. O machado que fez o toco é o mesmo que matou o tatu, e a técnica para cria-lo é a mesma que dissipou a ilusão do meio, do consenso.

A ver, portanto, que nem a polarização e nem o lacrimejar são dos ventos.. Mas do que estava interno aos buracos falseadamente tapados, antes estabelecidos. O fosso está aberto, de novo.

Tulio Custódio

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Sociólogo, Sócio e Curador de Conhecimento na Inesplorato. Mais: about.me/custodta ;)