por uma escrita intensiva
Escrevo. Sem mais, sem sentidos sem grande propósitos.

Jogo mais um texto na rede. Jogo. Jogo? Pra quê? Para quem? Do que serve escrever este texto? Ele nada diz, ele nada informa, ele nem será lido. Muitos que chegarem a ele, o abandonaram sem chegar ao menos a metade. Alguns irão esperar uma mudança, ou que talvez seja algum jogo. Novamente a palavra jogo. Jogo ela neste texto, pois se fez presente. Quis existir como palavra. Querer existir é essencial.
Água viva: “Escrever é apenas reflexo de uma coisa que pergunta. Escrever é uma indagação.”
Você já reparou como todo o emaranhado do texto que não é letra serve para criar ritmo? As letras são o espaço sendo ocupado, rasgado, preenchido. Espaços GRANDES E DOMINADOS, por palavras frágeis e pequenas. As letras tomam conta. Agora repara mais um pouco, a barra de espaço, os enters, os parágrafos, até os negritos e itálicos, as virgulações e pontos. Tudo isso não cria espaço….. geram ritmo. O texto é feito de espaço e tempo. O tempo da leitura é feito no entreespaço das palavras. Pronto. Agora este texto tem algum sentido, tem uma imagem, tem uma informação. Épossível resenhá-lo e fazer críticas e até conversar. Um texto é o quê?
| texto é conversa |

ou não. texto é monólogo. monólogo de escrita. monólogo de leitura. texto é um tecido sendo produzido por fios de poucas cores. tente ler este texto em voz alta para outros alguéns. eles negam. texto é monólogo. quantas cores podem ser usadas em um editor de textos cheio de limites? posso alterar algo? algo se altera. texto. texto. texto. textual. texxxxxxxxxxxxxttooo… a letra x é tão estranha. talvez por isso a usemos na matemática, só lá para algo tão estranho como um x ter sentido. texxxtooo texto teeeexto textual. testo. tessto. tesco . tesssxxxxsxxxto. parece quo texto não mais se tece.
para se dizer algo é preciso querer dizer algo, dizer algo para alguém. existe alguém aí? alguém-leitura. alguém-leitor. alguém que teça algo, teça sentidos…….. ah, como eu sinto o peso de meus textos a digitarem essas palavras. e o som tão diverso de uma barra de espaço e das letras. e do backspace. ué, não tem palavra em nossa língua para backspace? se tem não me recordo mais. e continuo a digitar, a trabalhar e a ser produzido neste texto descoberta do mundo. olhar atento para a possível palavra nova que venha ecoar. e eu que comecei isto aqui com um sentido sim. sim! hoje eu li! li um texto sobre a escrita de clarice lispector. a escrita nômade de clarice lispector e isso mexeu comigo. e isso me lembrou de mim comigo. e você já leu água-viva? te pergunto: vc já viu uma água-viva? já beijou uma? já teve medo da vida-viva? já tentou nadar neste turbilhão e perceber que somos nada mais do que um intestino ligado a um sistema nervoso, ou talvez o oposto….
ahhhh! se fosse possível gritar a vida em nossos textos. se fosse possível mostra-se aos outros sem necessitar de tantos subterfúgios, se fosse possível te abrir e ver o que teu coração é em desejo. ah, se pudéssemos ser em ser-nos outros. ah, se o texto finalmente acabasse e ao fim dele algo tivesse nascido, explodido, ecoado. mas os textos se direcionam ao fim, ao esquecimento, ao artefato, ao dinossauro. um texto é morto enquanto se escreve. cada traço riscado é um marca de sua morte. o texto só revive em leitura. e leitura é outra coisa, é outro sentido, é outro porém! ah, foucault! não te entendo, e teu texto nem é teu.
Eu penso para esquecer. Tudo o que eu disse no passado é totalmente sem importância. Escrevemos alguma coisa quando ela já foi muito usada pela cabeça; o pensamento exangue, nós o escrevemos, é tudo. O que eu escrevi não me interessa. O que me interessa é o que eu poderia escrever e o que eu poderia fazer. — algum Foucault.
eu não converso contigo. converso com ninguém! a escrita em fluxo. fluoxetina. floema. hilda. fluxo. dionísio. obaluaê. ah, aquela dança em Orixá. aquele eu que nem mais é. aquele ser a eclodir tentando nascer em textosssss. morte e doença. palavras. NASÇA! nasçamos. nasçamos para a morte, pois a vida é feia e triste e desesperadora. (se você visse a quantidade de abas abertas neste navegador, saberia ser tudo mentira) e precisamos gritar poesia e sangue e cântico para não perder a beleza e a vida e a natureza como algo que nos aqueça. ah sílabas dizem algo tão vago. as palavras se perdem. a vida chama rotina. é possível reencontrar? vida. rotina. rotineiro.
rooooo.
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Para escrever um pouco mais digo: brinco. brinco com a interface. brinco de contrastes. apenas por isso. brincar. brincar de pérola e prender nas orelhas com pressão…