vento no corpo

quando os fluxos são ruptura em busca de nutrição

hoje quis engolir-me. provar o gosto de ser. saber se os pedaços compostos são capazes de nutrir. dialogar. conectar.

será que a carne os ossos os pulsos e fluxos são digeridos por mim? o que o corpo cria é nutritivo?

||| o que pode um corpo? |||

um corpo pode digerir-se para gerar a si próprio? um corpo consegue se auto-nutrir? creio que não. um corpo pede comida de outros corpos, não é? um corpo consome o mundo para criar-se. seja mundo de planta, mundo de bicho, mundo de linguagem. o corpo é consumidor primário, secundário. um corpo não é produtor. ou é? um corpo decompõe?

quis dizer-me gente tanta vezes. quis criar-me forma outras. mas a vida diz: você corpo fluxo-nutrição.

perder a essência é como ser portador de todas as chaves. é fluxo constante. é permeabilidade. é sopro de vida. ventania. ventania. ventania. sopro que corta a pele fina e rasga e sangra, como o papel dilacera o mais simples da pele o dedo. o corte é fundo por ser fino. o corte é.

Galeano principia:

“Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.”

existe um pedra que gira dentro do corpo. movimento centrípeto. o barbante esgarça. a pedra continua. em giro eterno. a pedra é o universo em expansão. um dia ou se rompe ou perde pra inércia. o universo tem se rompido demais. seria o corpo barbante?