Cyan Soares
Aug 23, 2017 · 3 min read

O término

Sempre transcrevi meus sentimentos em poesia, mas dessa garota já escrevi tantas, que uma ultima nem sequer sairia, pelo simples fato de não querer dizer adeus. Depois do nosso termino, me perdi completamente no mais obscuro labirinto, minha mente era o minotauro e eu não sabia se me preocupava em fugir ou procurar o melhor caminho para sair vivo.

Nesse momento me encontro na frente do computador, acabei de virar as costas pra minha mãe para ela não perceber o quanto esbanjo dor, pois meu ultimo ato foi tão babaca que o mais babaca dos “Cyans” não entenderia, talvez por mecanismo de defesa, talvez por insegurança ou incertezas, não sei…, a única certeza que tenho é de que não fui sincero com meus próprios sentimentos, tentando me esconder do que já é real. Eu que me vanglorio por ter tido uma maturidade tão repentina, vi que em alguns ramos da vida ainda não se está pronto, e nunca se estará, pois ela sempre virá com algo de completamente inédito e inovador, do qual você terá de tomar decisões e que resultarão em certas consequências a se arcar.

E a vida me trouxe mais um episódio de dor, o termino de um namoro do qual tanto lutei por se fazer, e ser, e só vir-á-ser. E foi com ela, a garota que menos imaginei, e posteriormente tanto sonhei, e me apaixonei, e que me levaste a um nível tão alto e intenso de sentimentos, que apenas chorei, mas me impressionei, pois uma das vezes mais marcantes que estive a sua presença, foi de felicidade que eu chorei. O excesso de virgulas e redundância foi proposital, alguns não entenderão, assim como eu não entendi como tudo isso pode ter sido em vão. Estou me referindo a primeira vez em que eu tenha chorado de felicidade, a única vez que consigo me recordar em toda minha vida, e foi com ela, do meu lado. Só a via, e tentava ver algo que não conseguia, mas que estava presente em mim, presente no ar, presente no seu olhar, no seu sorriso, e quando tinha entendido tudo isso, só me entreguei ao amor, ao meu amor.

Antes mesmo de nos conhecermos, já a observava, e algo de estranho me vinha a cabeça, não que eu me sentia atraído ou algo do tipo, mas como se ela fosse participante de um futuro próximo, ou participara de um passado distante, talvez em outra vida, mas essa metafísica talvez não venha ao caso. No dia primeiro de maio, dia dos trabalhadores, em plena segunda-feira, nos encontramos na praia de Camboinhas. Passava-se em minha mente apenas uma ficada, talvez uma foda, mas aceitei desde o principio o que poderia estar por vir, e veio, um beijo, dois beijos, três…, até que percebi que não mais me cansaria, e foi quando a olhei, o olhar que me fez mergulhar, no começo muitas vezes estive por me afogar, mas natação desde a infância pratiquei.

E assim segui me aventurando nesses mares, um oceano cheio de fases, em alguns cantos, alguns males, mas que não eram de sua natureza, e sim dos tempos que se passava em seus ares. Em determinado momento fui puxado por uma correnteza, pra mim não era de se esperar, ainda não tinha ciência de suas ressacas e tristeza, talvez por varias vezes tenha-me feito chorar, mas sempre voltava mais forte tentado fazer-te se acalmar, e eu peço desculpas se muitas vezes falhei. Nunca deixei de sair do seu mar, mesmo nas crises em que tu achas que convidei-me a me retirar, foram as mais tristes noites e também me fizeram chorar. Mesmo dessa ultima vez, em que o termino veio a tona, e toda minha tristeza veio a extravasar, tudo o que disse com raiva, desespero, inquietação, não pode invalidar todas as poesias que teria escrito com o coração.

Escrevo esse texto para me libertar, pois estou triste comigo mesmo, mas se você estiver lendo tudo o que aqui estive por falar, espero que não mude o seu jeito de me olhar, pois eu não vou deixar de te ver como sempre vi, enquanto muitos te vêem como uma menina imatura, eu só vejo uma futura grande mulher, que persiste e luta, que mesmo em meio a tantos problemas e talvez as vezes tendo vontade, nunca deu fim ao seu ser, e isso é de se admirar, pelo menos ao meu ver. Lancei asneiras em forma de indiretas e passei a me odiar, mas esse texto me trouxe um alivio e seu nome eu não vou parar de suspirar.

Beijo, te amo, até logo, talvez…

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Cyan Soares

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Poeta Frustrado, O diário de um Sedutor, leitor de Kierkegaard à Platão e estudante de Filosofia