Um Gigante em “Coma”

por Ronald Péret

O Rio Doce, destacou-se em na historia política, econômica e social do país. Presente nas primeiras explorações de ouro e pedras preciosas, participou da era do café, da pecuária, da cana-de-açúcar, da extração da madeira e contribuiu ativamente, com grandes sacrifícios, para o crescimento das indústrias e da siderurgia.Ao longo das margens do Rio Doce habitavam os botocudos, pataxós e crenaques , foi uma da ultimas trincheiras contra o avanço dos portugueses. Hoje as aldeias foram substituídas pelas companhias de mineração e a panorama adquiriu outros contornos, muitas vezes lutuoso, hoje a exploração e progresso deixou marcas profundas ao seu redor, já no leito e nas suas margens, existia pequenos machucados, mas nada com a profundidade das feridas e amputações ocorridas após o catastrófico desastre ambiental, vai ficar eternamente com cicatrizes e o pior que, as probabilidades, dele se erguer, a curto prazo, foram arruinadas, levaram anos para sair desde ‘coma’, isto somente comentando do meio ambiente.

Sou ‘sortudo’ de certa forma, hoje cedo nas redes sociais perguntaram, se já teria conversado com pescadores da região afetada, nem deu tempo de responder, e ouvi uma buzina lá fora, eram dois pescadores amadores, querendo pescar nas minhas lagoas, foi um bate-papo de mais de duas horas e doeu muito ouvir eles falando, que pescaram no Rio Doce na semana passada, ainda tinham as fotos no celular, aquelas aguas claras, pedras limpas na margem… e o papo seguia fluindo… como um rio, falaram de peixes que nem pensava, que poderiam ser encontrados neste rio, num dado momento um deles me disse algo, que ficou marcado no meu pensamento e me deixou ainda mais triste:

“ Sabe Ronald, acho que não vou pescar mais no Doce; tenho 43 anos e penso que vai demorar muito tempo, para as águas das chuvas, limpar tudo, até lá não sei não”.

Realmente vendo as fotos dos lugares, por onde passei, confesso que nem acredito em recuperação, tamanho a distância e a área alcançada, queria ser otimista neste momento, mas recuperar é uma coisa, basta limpar, plantar… agora quem vai colocar toda fauna e a flora de volta, algo ate meio difícil de imaginar , os peixes tudo bem, podem colocar milhares de alevinos em diversos pontos e logo estará povoado, mas ainda existe o fato de alimentarem de outros seres, dentro de um eco sistema mais complexo de se falar em poucas palavras.

O estado de coma do ‘Rio Doce‘ é profundo, ele vai respirar por anos com nossa ajuda, até poder fazer isto de uma maneira natural, VALE observar que haverá pouco ou nenhum acompanhamento do prejuízo social e ambiental, dos danos causados pelo colapso das barragens, este rastro de destruição, afetou dezenas de cidades e milhões de pessoas, um exemplo disto esta até na interligação do homem com o fato que ele tem que vencer a natureza, sem comprometer esta e conseguir progresso, dentro de uma bacia hidrografia com tantos rios, só existe uma forma de vencer os obstáculos, construindo pontes. Se já estava difícil, de terminar de construir as pontes em muitos rios de Minas, imagine agora que muitas destas pontes, foram destruídas e outras arrastadas para muito longe.

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