Desconstrução Nossa de Cada Dia

… <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<à Joana Mushiya
 
 É sobre repassar a responsabilidade diária na construção e manutenção de hábitos e coisas do cotidiano.
 
 É sobre dizer que alguém é responsável por aquilo que deveria ser você o responsável.
 
 É sobre delegar funções às pessoas por possuírem uma cor de pele específica, orientação sexual, o gênero, entre outras formas de minoração.

É sobre dizer para todo mundo da importância de um feminismo na sua timeline mas em sua intimidade dizer para a sua mulher ou companheirx que a pessoa não vale nada ou não sabe de nada (violência moral e psicológica).

É sobre dizer pra geral que não é a favor da legalização do aborto pra geral, mas em casa não acatar a parceira quando se solicita o uso de preservativo.

É sobre esquecer que alguém que tem transtorno de ansiedade, um bipolar, um depressivo carece de atenção, paciência e amor, porque isso tudo, essas poucas medidas curam mais que anos de terapia com medicação.

É pensar que os seus velhos pais, avós, não são empregados, logo, aos jovens que reclamam de espaço e liberdade poderiam o fazer possibilitando liberdade dos seus genitores, colaborar nas atividades domésticas e contribuir com os custos mensais, porque os filhos já são por si só um investimento caríssimo e castrador, ou mesmo ir caçar seu caminho e desonerar os pais e responsáveis.
 
 É sobre ignorar que ao se viver em uma casa é preciso compartilhar gastos, projeções e previdência além de projetos como comprar a própria casa, mas também, dividir, assumir parte da carga mental e o cuidado com as crias em situação de casamento ou ajuntamento, como queira, inclusive, cuidar da faxina porque aqui no BRASIL e no mundo todo as casas não são autolimpantes (Fica a dica Engenhierxs!).

Dito tudo isso, admita-se que tem gente que não quer desconstruir nada a cada dia, não quer conviver melhor e prefere reproduzir tradições machistas, status quo elitista, racismos, homofobia de diversas formas… Dizer o que pra essa gente? Não dizer? Ignorar?

Pensem bem pais de MENINAS vocês gostariam que um ser qualquer dissesse pra sua filha deve lavar suas cuecas [inclua-se fazer toda a comida, lavar toda a louça, toda as demais roupas, ir ao mercado sozinha, ser baby sitter da sua ou suas crianças e ainda dar conta de você na cama]…ao invés de estudar/ trabalhar? Então porque vocês fazem isso intencionalmente ou não com suas parceiras? Basta não é mesmo! E se você diz que “nem todos os homens” então trata de repassar o basta pros seus amigos opressores e companhia ilimitada. Gratidão! Tem muita gente morrendo, e esse tipo de opressão é base do feminicídio, com isso encerro a ressalva.

Tudo seria melhor se a gente pensar que pra vida profissional, social, econômica, política e por aí vai será muito melhor ao se começar a praticar probidade e lisura na nossa própria casa, (arrumar a própria cama quando acordar, seria pedir demais?). Quer conhecer alguém, observe-a em seu cotidiano, alguém pode dizer, entretanto, seria melhor a gente se observar mais e começar a entender que seria interessante dispensar agradecimentos por coisas feitas as quais são na verdade, nossa obrigação? Não esperar dos outros seria um caminho? A única coisa que se sabe é que nada é fácil.

Eu quero viver para ver a minha criança num mundo onde ter que acordar e pensar em tudo sozinha para a manutenção de um lar não seja obrigação dela porque ela ser uma mulher e, ou mãe, negra, etc. e, tampouco ela deixe de sonhar atrás de uma pilha de roupa ou louça alheia.

Desconstruir tudo na mente e em minhas práticas tem sido minha meta para educar, longe de ser a melhor forma, sabe? Eu erro tanto! Contudo, eu espero que se tenha o exemplo mínimo de sobrevivência e superação na esfera privada onde as crianças tudo ouvem e tudo veem nos lares espalhados pelo Brasil, pelo mundo.

A sociedade tende a pensar que não há uma fórmula para dirimir as questões supracitadas, (…sem contar que ainda existem os elementos antropológicos, sociológicos, religiosos, psicológicos, variações regionais e culturais em se tratando de migrantes e imigrantes.), no entanto, o que se propõe nesse puxadinho hoje: é a reflexão em como desconstruir e melhorar a convivência diária com seres humanos seja no trabalho, espaço acadêmico, lúdico, academia, etc., mas principalmente na esfera privada, onde ninguém vê, ninguém ouve além das quatro paredes (em tese) além de entender como a negação de uma coisa ou tudo isso pode aterrar uma pessoa no cotidiano.

“Desculpas” para quem achou tudo isso muito óbvio e mais do mesmo em matéria de empoderamento, só que eu acho super necessário e que cabe muito nesse espaço, ao contrário das aspas nesse parágrafo.

Saudações!
 
 C.