Lc 6:31 ; Mt 7:12

Eu não só não tenho religião como também tenho prevenção, em maior ou menor grau, contra todas elas, a intensidade da minha antipatia variando em proporção direta à sua misoginia, xenofobia e pavor à intelectualidade, às liberdades individuais e ao conhecimento científico, bem como a seu absoluto desrespeito pelo deus ou não-deus dos outros. Parâmetros estabelecidos, quero dizer que, ainda assim, prefiro os religiosos aos fanatiquinhos político-partidários. Porque a um religioso, quando ele exagera em sua hipocrisia e mania de achar que é dono da verdade, a gente sempre pode citar (ou esfregar na cara, se ele for burro demais pra conhecer a citação e teimoso demais pra admitir que nas religiões organizadas, assim como no jogo do bicho, vale o escrito) uma passagem de seu Livro Santo pra dizer que ele está indo contra os preceitos de seu Chefe, mas a um militante é impossível envergonhar ou fazer admitir suas contradições e mesquinharias. Prova disso é a quantidade de gente nas redes sociais comemorando acidentes e mortes nas vias expressas da São Paulo pós-Doria sem sequer se preocupar em saber se as vítimas eram mesmo contra o limite de velocidade, se estavam ou não trafegando acima dele, se votaram contra o Haddad etc., e os que acham bem-feito os portadores de Green Card que eram (são?) pró-Trump serem impedidos de entrar nos EUA, pouco se lixando se junto com eles vão centenas, milhares de outros que não são racistas nem votaram no laranja do Putin. Claro que não unicamente graças a esses fofos e fofas “do bem”, mas certamente com sua entusiástica ajuda, cada vez mais gente previamente de centro ou de centro-esquerda está tomando nojo da autoproclamada esquerda progressista e de tudo que se identifica como tal. Ainda não cheguei a esse ponto, e duvido que chegue, mas a verdade é que, com prevenção e tudo, eu já acho bem mais fácil acreditar que o Islã pode ser a religião da paz e o cristianismo pode ser acolhedor e manso de coração do que crer que um esquerdista (leia-se “petista” ou “não sou petista, mas”) brasileiro, por mais convicto que seja de ter intelecto, moral e alminha superiores e portanto estar muito mais capacitado a “defender o povo” que o próprio povo, seja um miligrama menos filho da puta que os eleitores do Trump e os apoiadores dos bandidos do ISIS.

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