Matando o impostor 2: Escolhas certas com resultados errados

Meu primeiro artigo listou os vacilos e mancadas que cometi em meu gerenciamento pessoal em 2016. Neste aqui, eu gostaria de listar coisas das quais esperava um bom resultado e infelizmente não obtive.

Algumas coisas são bem pessoais e parecem auto-ajuda, mas se você já teve a oportunidade de ler este livro sensacional, sabe que é muito difícil separar Administração de tempo da nossa vida pessoal.

Então, segue abaixo minhas decepções de 2016.

Decepção 1 — Ser Empreendedor (Occam’s Razor)

Bem antes de ser demitido, eu já estava em um projeto paralelo que foi construído junto com um amigo, depois do horário de trabalho, para uma empresa aqui da minha cidade.

Fonte: Mymedicalforum

Nada podia ser mais perfeito. Se somente aos sábados e após o expediente já havíamos construído quase que 70% do projeto, esses 30% restantes seria tranquilos. Agora eu estava em casa, escutando Muse(!), motivadíssimo e enxergando até a possibilidade de transformar esse projeto num produto!

Porém, vários motivos fizeram essa minha primeira empreitada no empreendedorismo não dar certo. Para ilustrar aonde minha conduta deu errado, sem citar detalhes do projeto, gostaria que você imaginasse a seguinte situação: você é o produtor responsável pela vinda do melhor Pink Floyd Cover para o Brasil.

Fonte:YouTube

Se você gosta de Pink Floyd, já deve ter percebido que na música High Hopes temos uma porção de instrumentos bem peculiares, como um sino de Igreja e uma Guitarra Havaiana. Para um produtor musical, acredito eu que a solução mais interessante, seria sintetizar nessa música todos esses instrumentos utilizando Midi, por questões de custo e de praticidade.

Agora imagine que por algum motivo, você tenha que esperar um equipamento sofisticado chegar do exterior para sintetizar esses instrumentos ou que o manual de equipamento esteja em Coreano e os tradutores não lhe passem nenhuma confiança.

Numa situação dessas, apesar de aumentar o custo, a solução seria pagar alguém para tocar a famigerada Guitarra Havaiana e colocar um estagiário que tenha uma mínima noção de metrônomo para tocar o sino.

No caso do meu primeiro projeto como Empreendedor, eu tinha um problema parecido, mas uma solução hardcore só foi aparecer nos 45 do segundo tempo. Quando o cliente já não tinha mais nenhuma paciência para experimentações.

Se por um lado foi bom aprender o conceito de Occam’s Razor, por outro eu percebi que minha imersão no mundo do Empreendedorismo em 2016 acabou pouco antes de começar.

Decepção 2 — O Mito do Programador Noturno

Observe qualquer produto cultural onde haja um hacker, cracker ou um nerd qualquer. Agora olhe as opções abaixo e me responda. O que é mais sinistro visualmente?

1 — Uma sala escura com a tela do computador iluminando apenas o rosto do sujeito, calculista, tomando café e cheio manias estranhas?

2 — Uma sala super iluminada com o cara olhando pro computador, anotando coisas num caderninho, aparentando calma e tomando água?

Fonte: Mundo dos Hackers

Parece ingenuidade, mas pelo fato das minhas experimentações, meus protótipos, maluquices e artigos terem sido concebidos na parte da noite, acabei caindo na ilusão de que funcionava bem no período noturno. Que o silêncio da madrugada me ajudava na concentração, que a parte de manhã me deixava indisposto e eu só passava a ter bom rendimento depois do almoço.

Na verdade, trabalho noturno até funciona, mas nem se compara com o rendimento de uma semana acordando cedo e trabalhando apenas por 8 horas. O lance é: trabalhar focado em algo que você acredita, é legal em qualquer hora do dia.

Quando fui experimentar, acordar cedo, passear com o cachorro e trabalhar até um certo período, foi bem mais difícil. Já tinha os antigos maus hábitos muito enraizados.

Decepção 3 — Hackathons Brasileiros

Por estar trabalhando por conta própria e por considerar Hackathon’s um investimento e tanto na carreira, acreditava que iria conseguir participar de vários em 2016. Me preparei para isso, guardei um dinheiro para viagens, criei um Google Alerts a respeito do tema e fiquei na espreita.

Neste ano, no que eu pude acompanhar, aconteceram competições na Globo.com (dois inclusive), no Sebrae sobre ChatBots (!), no Tribunal Superior de Contas, Kimberly-Clark (Huggies), Ambev e na Olhar Digital.

Nos eventos da Globo e do Sebrae eu fiquei muito agradecido por ter sido informado que não possuía o perfil profissional esperado.

Já nos outros eventos, a decepção foi grande. Exigências logísticas absurdas (o da Kimberly-Clark procurava pessoas para ficarem durante 3 dias em São Paulo, por conta própria e sem informar direito qual era a premiação) critérios de seleção que eu considero muito excludentes (o da Ambev só aceitava candidatos que morassem no Rio) e exigências de perfis específicos dos candidatos (o da Olhar Digital era só para quem tivesse domínio de uma Plataforma específica da IBM) me causaram uma grande frustração.

Porque, pelos menos nas minhas buscas eu não encontrei uma quantidade grande desse tipo de evento aqui no Brasil. E se nos poucos quem aparecem, há esse monte de barreiras, negócio fica complicado. Mesmo com dinheiro pra viajar e uma disposição tremenda, não rolou.

Fica na minha cabeça a pergunta, qual perfil de pessoa estes hackathons estão procurando? Pessoas que não são jovens, que morem fora do eixo Sul/Rio/SP e que não tenham condições de ficar 3 dias hospedadas num estado diferente estão excluídas?

A boa noticia é que, vivemos num mundo globalizado. Se no Brasil, o conceito de Hackathon ainda parece não ter sido entendido direito por algumas empresas. Fora do país, temos muita coisa legal acontecendo. E eu consegui participar de um estrangeiro(!).

Mas é claro que eu vou manter o suspense e deixar para falar sobre isso no último artigo.

Decepção 4 — Hello Talk

Depois do fim do Live Mocha, achei que algum aplicativo iria cumprir a lacuna deixada por ele. Acreditava nisso, porque a ideia de conversar com falantes nativos pra aprender inglês é muito legal. Acreditava que ter tempo livre de encontrar o aplicativo certo para fazer isso seria minha carta na manga.

Não foi. Olhei uma imensa quantidade de aplicativos, gastei horas me cadastrando e cheguei no Hello Talk.

Tenho muito a agradecer a este app, mas esperava mais. Consegui pouquíssimas conversas e não consigo entender porque é tão difícil essa ideia dar certo.

Decepção 5 — Code Triage , Up for Grabs e Microsoft Azure

Aqui é só uma confirmação. Em maio desse ano já havia relatado sobre a minha dificuldade em encontrar um projeto open-source para participar. O Code Triage e o Up for Grabs possuem um conceito sensacional, mas não foram nem um pouco eficientes para mim. Possivelmente existam outros bons websites para isso. Mas isso não deveria ser uma parada complicada de achar.

Fonte: Free Digital Photos

Nessa busca, outra coisa co-relacionada que me deu uma grande decepção foi o fato de ainda ser um pouco enfadonho hospedar coisas legais feitas em .Net. Não é que não seja possível, com um pouquinho de paciência você pode usar o Microsoft Azure e App Harbor.

Mas francamente, em comparação com a facilidade de usar o Heroku, por exemplo, não dá nem para começar a conversa. E pra piorar ainda, quando fui tirar uma dúvida sobre Microsoft Azure no Slack do Brasil.Net, tive que lidar com tanta arrogância de algumas figurinhas, que eu acho que vai ser difícil eu tentar usar a nuvem do Tio Bill algum dia .

Decepção 6 — Achei que teria mais disposição para me exercitar

Bem, essa decepção já é presente na minha vida há muito tempo. A única coisa que eu tenho a dizer é que todos os artigos a respeito de Home Office estão certos neste quesito. Para trabalhar em casa, na frente de um computador, e não enferrujar todo, você precisa fazer exercícios diariamente.

O canal do Dráuzio é show. Recomendo demais

Posso te garantir, é mais fácil entrar numa academia, do que ficar esperando uma vontade de fazer exercícios. O vídeo acima do Dráuzio explica direitinho porque, biologicamente, a súbita vontade de praticar exercícios nunca vai aparecer na gente.

Conclusão

Todo nerd adora fantasiar muita coisa, imaginar a vontade. Mas eu acredito muito que minhas decepções nestes quesitos acima tenham acontecido por falta de informação apropriada. Participar de vários hackathons, se exercitar, ser empreendedor (ou intra-empreendedor como dizem hoje em dia) e trabalhar num horário flexível ainda fazem parte dos meus objetivos, só que em 2017 talvez eu tenha que procurar outros canais para realizar não ter mais decepções.

Bom, acho que chega de reclamar né? No próximo artigo, finalmente, irei falar sobre os pontos positivos deste ano tão peculiar.