Tudo fullgás, inquietante e excitante

De semblante tranquilo, voz calma e olhar afetuoso, Eike Batista, filho do lendário presidente da mineradora Vale do Rio Doce, Eliezer Batista, desde jovem se evidenciou como um play boy de apurado gosto por belas mulheres. Além de colecionar jatinhos e luxuosos carros, jamais abandonou sua outra paixão - embarcações velozes.

Porém a ambição de Eike era incontida. Queria mais, muito mais do que ser conhecido como o filho do pai Eliezer que transformou uma insignificante mineradora em uma das maiores empresas do planeta.

E quando Eike decidiu aventurar-se, midiaticamente no mundo dos negócios, também passou a ilustrar as manchetes [policiais] ao lado do ex-governador do Rio de Janeiro e atual presidiário Sérgio Cabral.

Ao se tornar íntimo do poder, a trajetória de Eike descreve a de muitos outros empresários brasileiros, modelo de uma era.

Caricato de um governo, Eike representa a crença em uma política econômica que apostou nos “campeões nacionais” - OI, JBS-Friboi, Odebrecht ... E com a derrocada desses, torna-se fácil entender a semelhança da trajetória de Eike com a ascensão e queda da Economia Brasileira.

O mundo e suas contradições

Porém a aventura mal sucedida de Eike Batista não tem sido a única em um tempo confuso, inquietante e descontínuo …

Num mundo interligado, eventos aparentemente isolados determinam o destino de muitos. E um desses passou a questionar a divisão do Reino Unido entre continuar integrando ou não a União Europeia - após 43 anos.

De um lado estão os que, com discursos patrióticos sobre a necessidade de retomada da soberania nacional, defendem a saída.

Se opondo a esses, os que imaginam o pior sobre o crescimento econômico; a diminuição de acordos comerciais; a perda de empregos; a redução na renda das famílias; o aumento dos preços; a queda no valor dos imóveis e por fim a desvalorização da libra [exacerbando a inflação], caso os Brexit [Britain exit] saiam vencedores.

David Beckham

Embora o Manchester United, time em que conquistou títulos ingleses e europeus, tivesse sido composto por jogadores britânicos, era um grupo muito melhor e mais bem sucedido por causa de um goleiro dinamarquês, Peter Schmeichel, da liderança de um irlandês, Roy Keane, e da habilidade de um francês, Eric Cantona. Beckham também acredita ter sido privilegiado por ter jogado e vivido em Madri, Milão e Paris durante sua carreira.

Vivemos em um mundo vibrante e conectado, onde juntos, como povo, somos fortes. Por nossos filhos e pelos filhos deles, deveríamos estar enfrentando os problemas do mundo juntos, e não sozinhos. Por estas razões, vou votar no ‘fica’, afirmou Beckham.

Casa Grande e Senzala

Entre a Londres cosmopolita, sofisticada e jovem; e os subúrbios que abrigam a classe trabalhadora, pobre e envelhecida; há um abismo colossal.

Para os londrinos, assim como os escoceses e os irlandeses do norte, cidadãos mais educados e ricos que se beneficiaram largamente da maior integração global, aliada aos avanços tecnológicos das últimas décadas, Brexit foi motivo de muito choro por não terem percebido, desde a construção dos arquétipos da globalização, a pobreza coexistindo a margem das políticas que destruíam aos poucos o bem-estar da classe média inglesa.

A desindustrialização e a substituição de setores econômicos passaram a exigir qualificações que a população dos subúrbios e mais velha não possuía. A migração das indústrias restantes para mercados com mão de obra mais barata também tornou-se outra ameaça com a abertura das fronteiras, enquanto os novos imigrantes passaram a ser considerados como um risco ao emprego já escasso, além do aumento de demanda ao limitado acesso às vagas nas escolas públicas e aos postos médicos.

Separatismo ou populismo xenófobo ?

Enquanto a Escócia e a Irlanda do Norte ameaçam sair do “Reino”, até então “Unido”, para permanecerem na União Europeia, se intensificam na França e na Holanda a ascensão da xenofobia [populismo xenófobo ?] semeado também na Suécia, Noruega, Hungria e Polônia. Quanto a Espanha, as preocupações novamente se voltam para os insurgentes da Região Basca.

Desafios

Num mundo aceleradamente dinâmico e intensamente persuasivo, como encontrar respostas simples e rápidas para questões complexas que foram formuladas principalmente ao longo dos últimos 20 anos, tempo esse em que cada vez mais íamos nos alienando, separados de nós mesmos, contagiados pela euforia do consumo sem limite agora transformado em impiedosa distopia que a todo instante nos faz arrependidos e depressivos, revoltados e destrutivos, quando não assustados e encurralados - sejamos ingleses, gregos, americanos, brasileiros ou de qualquer outra nacionalidade ?

Medo e insatisfações crescentes

Apesar do presidente Obama ter reduzido o desemprego americano de 10% [estatísticas oficiosas registravam 14%] para menos de 5% ao longo dos últimos 8 anos, a maioria da população, insatisfeita com os seus novos salários [bem menores dos que recebiam antes de 2008], passaram a ameaçar o status quo apoiando candidaturas extremadas com apelos às carências da maioria, tanto do socialista Sanders, como do direita xenófobo, Donald Trump.

No Velho Continente, além de alvo de imprevisíveis investidas do Exército Islâmico; o alto e persistente desemprego; a deflação não menos duradoura; as mudanças nas leis trabalhista e previdenciária como esperanças do surgimento de uma nova era de crescimento econômico, que insiste em não acontecer, são também determinantes para as instabilidades [colapsos] que ocorrem no planeta.

Além do terror, seja articulado por bunkers no Oriente Médio, excitando células adormecidas e lobos solitários mundo afora; seja promovido pelos lobbies da indústria de armas dentro do Congresso dos Estados Unidos; seja pelas organizações criminosas de traficantes que articulam seus negócios de dentro das favelas ou pela crescente bandidagem urbana no Brasil, como encontrar respostas, soluções para o mundo que, além de perigoso e cruel, também se tornou bastante individualista, dependente de acordos temporários, válidos apenas até uma nova ruptura ?

Enganando a morte

Como encontrar destino para mais de 65 milhões de refugiados [1% da população mundial] que fogem de guerras, perseguições e torturas ?

Mais de 51% desses andarilhos corajosos, ou que disfarçam o medo, são crianças - sem escolas, alimentação e higiene adequadas, quando conseguem enganar a morte. Mais de 60% de todos que nutrem esperanças, 39% estão Oriente Médio e 29% na África. 12% estão nas Américas e 14% na Ásia-Pacífico. E 6% [390 mil refugiados] insistem em permanecer na Europa.

A maioria vem da Síria, Somália e Afeganistão. Desde 2011, metade da população síria, de 20 milhões de habitantes, sem destino tenta sobreviver após perderem suas casas e verem suas cidades destruídas. Desses, mais de 4 milhões deixaram a terra onde nasceram, buscando abrigo na Jordânia, Líbano, Turquia e Europa - sendo o Velho Continente o destino mais cobiçado por todos, em especial a Alemanha.

Realidade Líquida

A globalização foi uma das maiores forças de transformação da paisagem social moderna. A aproximação ou o encurtamento das distâncias, cada vez mais virtuais, determinada pela tecnologia, acelerou a eficiência do capital. Com o aumento crescente da produtividade ampliou-se e inundou-se de alternativas e quantidades os mercados de produtos e serviços, transformando os objetivos [desejos] e as relações humanas de várias formas. Porém, tudo muito volátil …

Na busca do prazer através de sentimentos e emoções diversas, além de muita oportunidade de experiências e aprendizado que o atual mundo nos disponibiliza, por intermédio de rápidos encontros e desencontros, há muito que a maioria de nós nos acostumamos com a insustentabilidade dos relacionamentos pessoais, seja hetero, homo, bissexuais ou de amizades.

Também fugazes e líquidos se tornaram os contratos comerciais, desfeitos ou por buscas de realizações pessoais e profissionais, mas também por perdas de empregos, inadimplência das famílias e de empresas, ou por falências no comércio e na indústria.

Como nuvens no céu

Na “gangorra” do parque de diversões, atualizada em novos brinquedos que caracteriza o mundo que construímos, tudo é possível, mas também, como nuvens no céu, tudo é improvável ou inesperado.

Apostando nas “bolsas de valores” ou nos “cassinos” de Las Vegas, nos excitamos como na “montanha-russa”, e jamais nos imaginamos na monótona “roda gigante”. Até despencarmos aceleradamente do “elevador”.

Porém não foi no “elevador” da Disney que que Eike Batista [ex-dono da oitava fortuna do mundo, de U$ 34 bilhões], numa trajetória meteórica em apenas oito anos se aventurou. Foi das “nuvens” que ele despencou.

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