Divisão 42: o primeiro manifesto

É difícil para alguém que se julga “das palavras” admitir que está tudo, dessa vez, nos números. Começo hoje meu novo projeto, a Divisão 42, e usarei nesse momento as palavras apenas como explicação para esses números.

O número 42, e a razão para a sua escolha no título, é um resumo de toda a missão desse espaço. Em primeiro lugar, sua escolha se deve ao número que era ostentado por Jackie Robinson, primeiro atleta afro-americano a começar um jogo por um time da grande liga de Baseball dos EUA. Isso não diz apenas do meu amor pelo Baseball, o jogo da paciência e do intervalo. Jackie foi escolhido para mostrar que o foco da Divisão 42 será buscar a narrativa do esporte em seu arco maior, algo que vai além dos minutos de jogo e conhece sua posição como força de mudança na história humana. Todo jogo é um duelo entre duas narrativas, que podem ser a do favorito e a da zebra, a do ícone e a do carregador de pianos, a da arte e a da força. Quero buscar essas narrativas e trazer algo que vai além das notas e resultados, algo que deva tanto a Norman Mailer e H. G. Bissinger quanto deve ao jornal esportivo de todos os dias.

Esse nome também chega com outra carga. De acordo com a obra satírica de Douglas Adams, de quem, espero, conseguir pegar emprestado mais que apenas um número — também uma espécie de bom humor — o 42 é o sentido da vida. Então a Divisão 42 será um espaço para quem quiser escrever sobre esportes — não é um site pessoal, mesmo tendo seu lar no Medium — desde que o esporte seja parte do sentido da vida dessa pessoa. O esporte esteve comigo em todos os momentos importantes da minha trajetória. Tenho nele lembranças ótimas de celebração e união e lembranças brutais de decepção e rejeição. O esporte é parte da vida, parte de seu sentido, parte da Divisão 42.

Não existe linha editorial — as únicas linhas aqui são as que cercam o campo.